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Casas Bahia pede recuperação judicial após fechar lojas e demitir funcionários

Grupo acumula prejuízo de R$ 10,1 bilhões, tem dívida de R$ 17,3 bilhões e busca reorganizar as operações.

Grupo acumula prejuízo de R$ 10,1 bilhões, tem dívida de R$ 17,3 bilhões e busca reorganizar as operações.
Foto: Thales Brandão

O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida foi tomada após uma sequência de prejuízos, fechamento de lojas e redução do quadro de funcionários.

O pedido foi apresentado na noite de domingo (16), na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A companhia declarou passivos de R$ 17,3 bilhões.

A decisão representa uma nova etapa da crise financeira da varejista. Além disso, acontece cerca de dois anos depois de uma recuperação extrajudicial.

Dívida da Casas Bahia chega a R$ 17,3 bilhões

Segundo o pedido apresentado à Justiça, a maior parte das dívidas está concentrada em credores sem garantia.

Do total, R$ 16,4 bilhões correspondem a credores quirografários. Outros R$ 754 milhões são dívidas trabalhistas. Além disso, há R$ 154 milhões relacionados a microempresas e empresas de pequeno porte.

O processo envolve dez empresas do grupo. Entre elas estão as operações relacionadas às marcas Casas Bahia e Ponto Frio, além da Extra.com, Bartira e empresas de logística e tecnologia.

A recuperação judicial busca permitir a reorganização das dívidas. Ao mesmo tempo, a empresa pretende preservar suas operações e manter os canais de atendimento aos consumidores.

Prejuízo de R$ 10,1 bilhões agravou a crise

O pedido acontece após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026.

A Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho. No mesmo período de 2025, a perda havia sido de R$ 555 milhões.

O resultado foi fortemente afetado por efeitos contábeis não recorrentes. Esses efeitos somaram aproximadamente R$ 9,1 bilhões, segundo os dados divulgados pela companhia.

Sem esses efeitos, o prejuízo ajustado ficou em aproximadamente R$ 978 milhões. Portanto, a situação operacional também permanece pressionada.

A companhia ainda apresentou patrimônio líquido negativo de R$ 8,1 bilhões. Além disso, acumulou oito trimestres consecutivos de prejuízo.

298 lojas foram fechadas

A recuperação judicial ocorre depois de uma forte redução da estrutura física.

A companhia fechou 298 lojas, número equivalente a aproximadamente 29% das 1.034 unidades existentes ao final de junho.

O fechamento atingiu diferentes regiões do país. Nos últimos dias, consumidores e funcionários divulgaram imagens de lojas fechadas nas redes sociais.

O movimento também provocou reação de entidades sindicais. O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região anunciou uma ação coletiva contra a companhia.

Demissões atingem milhares de funcionários

Além do fechamento das lojas, a Casas Bahia iniciou uma nova rodada de cortes.

Segundo informações divulgadas pela empresa no pedido judicial, aproximadamente 3 mil funcionários foram demitidos. O grupo possui cerca de 30.117 colaboradores.

A empresa afirmou que está ajustando o quadro de funcionários ao novo tamanho da operação. Além disso, contratos, despesas e investimentos estão sendo revisados.

O movimento provocou forte repercussão entre trabalhadores. Funcionários utilizaram redes sociais para relatar desligamentos e encerramento de unidades.

Por que a Casas Bahia entrou em recuperação judicial?

A empresa atribui a deterioração financeira a diferentes fatores.

Entre eles estão os juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo. Além disso, a companhia enfrentou dificuldades para obter novas fontes de liquidez.

A empresa também aponta investimentos realizados desde 2019 em tecnologia, logística e digitalização. Entretanto, a alta dos juros alterou significativamente as condições financeiras do negócio.

O modelo de negócios também depende de capital de giro e financiamento. Portanto, o aumento do custo do dinheiro pressionou ainda mais a estrutura financeira.

Captação internacional não foi concluída

Outro fator importante foi a tentativa frustrada de levantar recursos no mercado internacional.

Segundo a companhia, foram realizadas conversas com investidores brasileiros, americanos e europeus. Porém, o principal investidor interessado desistiu da operação.

Com isso, a alternativa de liquidez não foi concretizada. Dessa forma, a recuperação judicial passou a ser uma alternativa para reorganizar os passivos.

Casas Bahia já havia feito recuperação extrajudicial

Essa não é a primeira vez que a companhia utiliza mecanismos de reestruturação de dívidas.

Em 2024, a Casas Bahia realizou uma recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 4,1 bilhões em dívidas. O plano foi homologado pela Justiça naquele ano.

Agora, entretanto, a empresa recorre à recuperação judicial diante de uma situação financeira mais complexa.

A principal diferença é que o processo judicial envolve a supervisão da Justiça e um plano que será submetido aos credores.

Casas Bahia pede medidas urgentes

Na petição, a companhia também solicitou medidas para preservar o funcionamento das operações.

Entre os pedidos está a suspensão de execuções por 180 dias. A empresa também quer impedir vencimentos antecipados de contratos e preservar o fluxo de recebíveis.

A Casas Bahia afirma que existe risco de vencimento antecipado de mais de R$ 10 bilhões em contratos financeiros e comerciais.

Segundo a companhia, uma retenção de recebíveis poderia comprometer parcela relevante do caixa. Por isso, as medidas de proteção são consideradas fundamentais para a continuidade das operações.

O que acontece agora?

O pedido de recuperação judicial ainda seguirá as etapas previstas na legislação.

A companhia deverá apresentar seu plano de recuperação aos credores. Depois disso, os credores participarão das etapas de análise e votação previstas no processo.

Enquanto isso, a Casas Bahia afirma que pretende manter suas operações normalmente. A estratégia inclui priorizar negócios mais rentáveis, reduzir custos e renegociar dívidas.

O grupo também deverá convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para ratificar a decisão de recorrer à recuperação judicial.

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