As ações das Casas Bahia (BHIA3) despencaram mais de 30% nesta segunda-feira (17). O movimento ocorreu após o pedido de recuperação judicial apresentado pela companhia.
Os papéis lideraram as quedas do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira. Além disso, a reação ocorreu após a divulgação do pedido no domingo (16).
Na abertura do pregão, as ações chegaram a cair 31,8%, para R$ 0,45. Por volta das 16h, a queda permanecia acima de 30%, com os papéis negociados a R$ 0,44.
O movimento refletiu a forte preocupação dos investidores com a situação financeira da varejista.
Casas Bahia pede recuperação judicial
O Grupo Casas Bahia protocolou o pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
A companhia informou passivos totais de aproximadamente R$ 17,3 bilhões. Desse montante, R$ 16,4 bilhões correspondem a credores quirografários.
Além disso, existem R$ 754 milhões em compromissos trabalhistas. Outros R$ 154 milhões estão relacionados a microempresas e empresas de pequeno porte.
A recuperação judicial busca permitir a reorganização das dívidas. Dessa forma, a companhia pretende preservar suas operações e negociar com os credores.
Prejuízo de R$ 10,1 bilhões
A reação do mercado também ocorre após a divulgação do resultado do segundo trimestre de 2026.
A Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no período. No segundo trimestre de 2025, a companhia havia registrado prejuízo de R$ 978 milhões.
O resultado foi fortemente afetado por eventos contábeis não recorrentes. Entre eles estão baixas de ativos e revisões relacionadas a créditos fiscais.
Mesmo desconsiderando efeitos extraordinários, entretanto, a empresa continuou apresentando resultado negativo. O cenário reforçou as preocupações sobre sua capacidade financeira.
Fechamento de lojas aumenta preocupação
A recuperação judicial acontece após uma forte redução da estrutura física da empresa.
A Casas Bahia fechou 298 lojas, o equivalente a aproximadamente 29% da rede existente no final de junho. Além disso, a companhia promoveu milhares de demissões.
O fechamento atingiu diferentes estados brasileiros. Nas redes sociais, funcionários e consumidores compartilharam imagens de unidades fechadas.

Em Salvador, por exemplo, diversas lojas encerraram as atividades. O movimento também alcançou unidades em outras capitais e cidades brasileiras.
Ações enfrentam forte pressão na Bolsa
A queda desta segunda-feira amplia a trajetória negativa das ações da Casas Bahia.
O mercado passou a incorporar nos preços uma percepção maior de risco após o pedido judicial. Além disso, a recuperação judicial aumenta a incerteza sobre o futuro dos acionistas.
A situação também chama atenção porque a empresa possui patrimônio líquido negativo. Segundo informações divulgadas sobre o balanço, o patrimônio líquido negativo chegou a aproximadamente R$ 8,1 bilhões.
Recuperação judicial não significa falência
Apesar da forte reação das ações, recuperação judicial não significa falência imediata.
O mecanismo permite que empresas em dificuldades financeiras reorganizem suas dívidas. Portanto, a companhia continua operando enquanto busca uma solução com seus credores.
A Casas Bahia pretende manter as atividades durante o processo. Além disso, a estratégia inclui redução de custos e concentração em operações consideradas mais rentáveis.
Mercado acompanha próximos passos
Agora, investidores acompanham a tramitação do pedido na Justiça. Também será necessário observar as próximas medidas da administração da companhia.
A empresa deverá apresentar um plano de recuperação aos credores. Em seguida, o plano será submetido às etapas previstas na legislação.
A Casas Bahia também solicitou medidas para proteger suas operações. Entre elas está a suspensão de execuções durante o período previsto pela legislação.
Assim, a reação negativa das ações demonstra o tamanho do desafio financeiro enfrentado pela varejista.



























