Início Notícias Ministério da Saúde suspende temporariamente vacina contra dengue do Butantan

Ministério da Saúde suspende temporariamente vacina contra dengue do Butantan

Imunização será interrompida a partir de 9 de junho para investigação de 42 eventos adversos severos e duas mortes que estão sob análise das autoridades de saúde.

Ministério da Saúde suspende temporariamente a vacina contra dengue do Instituto Butantan após investigação de reações graves. Entenda os motivos e os próximos passos.
Foto: Renato Rodrigues/Comunicação Butantan
Anuncie no CidadeMarketing Anuncie no CidadeMarketing

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação com o imunizante contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida passará a valer a partir de 9 de junho e tem como objetivo permitir uma investigação aprofundada sobre eventos adversos considerados raros e inesperados registrados após a aplicação da vacina.

O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, após a notificação de 42 episódios de reações severas e duas mortes que estão sendo investigadas pelas autoridades sanitárias.

 

Segundo o governo federal, aproximadamente 500 mil doses do imunizante já foram aplicadas em todo o país.

Suspensão não significa perda de eficácia

O Ministério da Saúde ressaltou que a decisão possui caráter preventivo e não representa uma conclusão sobre a segurança ou eficácia da vacina.  Em nota, a pasta reforçou que a interrupção temporária é uma medida de precaução adotada para permitir a análise detalhada dos casos reportados.

“A decisão não invalida a eficácia da vacina”, destacou o Ministério da Saúde.

A investigação buscará identificar se existe relação causal entre os eventos adversos observados e a aplicação do imunizante.

Anvisa acompanha investigação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária notificou o Instituto Butantan para a realização de uma investigação epidemiológica completa.  Especialistas irão avaliar os prontuários dos pacientes, histórico clínico, condições de saúde pré-existentes e possíveis fatores associados aos casos registrados.

O objetivo é determinar se as ocorrências possuem relação direta com a vacina ou se foram provocadas por outras condições médicas.

Quais sintomas devem ser observados?

O Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas permaneçam atentas aos sintomas durante os primeiros 21 dias após a imunização.

Entre os sinais que exigem atenção médica imediata estão:

  • Febre persistente;
  • Dor abdominal intensa e contínua;
  • Vômitos persistentes;
  • Tontura;
  • Sangramentos;
  • Sonolência excessiva;
  • Irritabilidade intensa;
  • Sinais de desidratação;
  • Piora do estado geral de saúde.

A recomendação é procurar atendimento médico imediatamente diante de qualquer um desses sintomas.

Resultados dos estudos clínicos

Antes da aprovação regulatória, a vacina passou por uma ampla etapa de estudos clínicos. Os ensaios acompanharam voluntários por até cinco anos, avaliando aspectos relacionados à segurança, resposta imunológica e proteção contra a doença.

De acordo com os dados apresentados pelo Instituto Butantan, o imunizante demonstrou:

60% de eficácia geral contra a dengue;
80,5% de eficácia contra dengue grave; de eficácia contra casos com sinais de alarme; e de eficácia na prevenção de hospitalizações.

Os resultados colocaram a vacina entre as principais estratégias brasileiras de combate à doença.

Dengue continua sendo desafio para o Brasil

A suspensão ocorre em um momento de forte preocupação das autoridades sanitárias com a dengue. Nos últimos anos, o Brasil registrou sucessivos recordes de casos da doença, aumentando a pressão sobre hospitais, unidades básicas de saúde e sistemas de vigilância epidemiológica.

A vacinação vinha sendo considerada uma importante ferramenta complementar às ações tradicionais de combate ao mosquito transmissor, como eliminação de criadouros e campanhas de conscientização.

Especialistas pedem cautela

Profissionais da área de saúde destacam que a investigação é um procedimento normal dentro dos sistemas de farmacovigilância adotados em diversos países.

Após a aprovação de uma vacina, o monitoramento continua sendo realizado para identificar eventos raros que podem não aparecer durante os estudos clínicos.

Esse processo permite atualizar protocolos de segurança e garantir a proteção da população.

Próximos passos da investigação

A expectativa é que a Anvisa, o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan conduzam as análises nas próximas semanas. Até que haja um posicionamento definitivo das autoridades, a aplicação do imunizante permanecerá suspensa.

O governo informou que divulgará novas informações à medida que os resultados da investigação forem sendo consolidados. Enquanto isso, as autoridades reforçam a importância da prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, principal transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Anúncio Notícia #4 Anuncie no CidadeMarketing Anuncie no CidadeMarketing