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Uma conversa com David Feinberg, vice-presidente do Google Health

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O doutor David Feinberg tem dedicado sua carreira a cuidar da saúde e do bem-estar das pessoas. Depois de muitos anos no sistema de saúde, ele assumiu o cargo de vice-presidente do Google Health – grupo que reúne equipes das áreas de inteligência artificial (IA), produtos e hardware do Google e do Alphabet, que trabalhem com o objetivo de enfrentar os grandes desafios do setor. A seguir você confere nossa conversa com David, na qual ele conta um pouco sobre sua vida antes de entrar para o Google, tudo o que aprendeu na condição de “Noogler” (novo Googler) e fala sobre o que vem por aí no Google Health.

Antes de trabalhar no Google, o senhor teve uma carreira que foi desde a psiquiatria infantil até cargos de direção num grande grupo de saúde. Fale um pouco sobre esse percurso e como sua história conduziu ao Google Health.
Minha grande motivação na vida é ajudar as pessoas a viverem mais e com mais saúde. Comecei minha carreira na UCLA, no setor de psiquiatria infantil, onde atendia pacientes com graves problemas de saúde mental. Passei 25 anos na Universidade da Califórnia, e nesse período transitei entre o cuidado com dezenas de pacientes e a supervisão do sistema de saúde universitário – que atende mais de um milhão de pessoas. Em seguida, fui para a Geisinger, onde tive a oportunidade de apoiar uma comunidade com mais de três milhões de pacientes.
Na época dessa mudança, lembro que minha mãe não entendeu como o afastamento do atendimento clínico rumo a responsabilidades administrativas significava ajudar mais gente. No entanto, o impacto dos cargos de direção está justamente em iniciativas que melhoram a experiência dos pacientes, ampliam o acesso ao sistema de saúde e – espero! – fazem com que mais pessoas ganhem tempo para aproveitar a vida com qualidade.
Logo nas primeiras conversas com o Google eu percebi o potencial de ajudar bilhões de pessoas – em parte porque acredito que o Google já é uma empresa de saúde. Esse assunto esteve no DNA da companhia desde o início.
O senhor afirma que o Google já é uma empresa de saúde. Por quê?
Graças ao trabalho que vem sendo realizado pelas equipes de Cloud e IA, estamos fazendo avanços consideráveis para organizar e aumentar a utilidade dos dados sobre saúde. Se pensarmos em todo o portfólio de produtos da marca, é possível perceber que o Google auxilia em uma série de aspectos da saúde dos usuários. A Busca responde às dúvidas das pessoas; o Maps mostra como chegar ao hospital mais próximo; outras ferramentas e produtos tratam de temas que têm influência direta na saúde humana, como alfabetizaçãosegurança no trânsito e poluição do ar.
A base já foi construída, e estou empolgado com a perspectiva de usar a força, a equipe genial e os incríveis produtos do Google para fazer ainda mais pela saúde e pela vida das pessoas.
Esta não é a primeira vez que o Google investe diretamente em saúde. O que mudou ao longo dos anos na maneira com que a empresa se propõe a resolver problemas da área?
Alguns esforços anteriores do Google não avançaram devido a diversos desafios enfrentados pelo setor de saúde como um todo no passado. Naquela época, eu administrava um hospital e ninguém falava sobre interoperabilidade – termo que qualquer pessoa da área conhece hoje. Estávamos apenas engatinhando na gigantesca tarefa de adotar prontuários médicos eletrônicos e colocar dados de saúde na internet – foi por isso que alguns dos primeiros projetos não decolaram. Hoje, porém, diante da digitalização do sistema de saúde, muitas dessas iniciativas são tão naturais que nem pensamos mais nelas.
O cenário da saúde mudou de forma drástica recentemente, criando uma série de oportunidades e desafios. Google e Alphabet reagiram a essas mudanças investindo num trabalho que complementa os pontos fortes da empresa e coloca as necessidades de usuários, pacientes e profissionais do setor em primeiro lugar. Basta pensar nas promissoras pesquisas com IA e nas aplicações móveis apresentadas pelo Google e pela DeepMind Health, ou no Project Baseline da Verily. Iniciativas como essas estão redesenhando as fronteiras do nosso conhecimento sobre a saúde humana. Ainda podemos – e vamos – fazer muito mais.
Por falar em IA, esse é um recurso importante em vários trabalhos realizados pelo Google no setor de saúde. Quais são os próximos passos nessa linha de pesquisa?
Ninguém duvida que a inteligência artificial vai impulsionar a próxima geração de ferramentas criadas para aprimorar diversas etapas do sistema de saúde: entrega, acesso e muito mais.
Quando penso no futuro da pesquisa, acredito que devemos continuar tendo o cuidado e a intenção deliberada de compartilhar nossas descobertas com as comunidades médica e de pesquisa, incorporando suas sugestões e opiniões e garantindo que nosso trabalho de fato melhore a situação de pacientes, médicos e empresas da área.
É claro que temos de criar soluções para serem usadas em campo, por pessoas como o patologista que analisa lamínulas num caso de câncer de mama ou do enfermeiro que precisa receber, numa ambulância em movimento, os resultados dos exames clínicos de um paciente. Entretanto, todos esses avanços devem ocorrer de forma segura, escutando o que os usuários têm a dizer de modo a garantir que façamos a coisa certa.
O senhor está trabalhando no Google há seis meses. O que mais o surpreendeu na empresa ou nos colegas?
Ainda não consigo acreditar na maravilha que é dispensar o paletó e a gravata depois de tantos anos trabalhando com roupas formais. Quando consegui esse emprego, decidi doar boa parte dos meus ternos. Guardei apenas um ou outro para usar em casamentos, é claro.
Falando sério: a cada dia que passa me surpreendo com as equipes do Google, com a energia e o compromisso que demonstram em relação ao trabalho. Para mim, é um grande prazer fazer parte desse grupo.
Qual é seu lema de vida?
Sei que vai parecer brega, mas todos os dias eu digo três palavras quando chego ao trabalho de manhã: paixão, humildade, integridade. Elas são meu esteio, e permeiam tudo o que fazemos no Google Health.
Paixão significa fazer o que é certo e saber que vale a pena batalhar pela saúde das pessoas, dia após dia. Humildade porque, afinal de contas, o que está em jogo são vidas humanas. Não podemos nos dar ao luxo de ser apressados demais ou fazer bobagens. E integridade porque devemos ir trabalhar diariamente com o objetivo de deixar a empresa – e o mundo – melhor do que era no momento em que chegamos ao escritório.

Fonte: blog Google

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