A forma como consumidores buscam e compram online mudou de forma estrutural. O avanço da inteligência artificial, somado ao crescimento das redes sociais como canais de descoberta, está fragmentando a jornada e antecipando a decisão de compra. Em muitos casos, o usuário já chega ao site com a escolha praticamente feita, ou sequer precisa acessá-lo.
Esse movimento não é apenas comportamental. Ele já impacta diretamente aquisição, conversão e custo.
Para gestores de e-commerce, isso significa operar em um cenário onde tráfego não garante resultado e presença não depende mais de um único canal.
Jornada de busca se fragmenta e começa (também) fora do Google
O Google ainda é relevante, mas deixou de ser o único ponto de partida. Consumidores alternam entre IA, TikTok, YouTube e buscadores dependendo da intenção. Segundo estudo recente do IAB, a inteligência artificial já é o segundo maior influenciador nas decisões de compra, superando inclusive sites de varejo.
Na prática, a jornada deixou de ser linear. O usuário pode descobrir um produto em uma rede social, validar informações em uma IA e só depois acessar um site. Em muitos casos, esse acesso nem acontece. Parte da decisão já foi construída antes.
Esse cenário reduz a previsibilidade baseada apenas em SEO tradicional e mídia paga. A disputa agora é por presença ao longo da jornada, não apenas por clique.
Decisão acontece antes do clique e encurta o funil
Dados de comportamento mostram que a busca está mais madura. Em análise sobre o mercado de mobilidade elétrica, a Search Lab aponta que termos relacionados a “bicicleta elétrica” atingiram pico histórico de interesse em 2026, com grande volume de buscas já orientadas a preço, modelo e autonomia.
Isso indica um consumidor que chega à busca em estágio avançado de decisão. A pesquisa deixou de ser apenas descoberta e passou a ser validação.
O efeito direto é um funil mais curto. O usuário compara menos opções, decide mais rápido e interage com menos páginas. Isso reduz oportunidades de influência dentro do site e aumenta a importância de aparecer nos momentos anteriores.
Plataformas e IA absorvem parte da jornada
A própria estrutura das plataformas está mudando. O Google já testa experiências onde o usuário pode descobrir, comparar e comprar produtos dentro da própria interface, sem sair da busca. Segundo artigo da Search Lab sobre Google UCP, isso acontece com apoio de dados estruturados, feeds de produtos e sistemas de recomendação.
Na prática, parte da jornada deixa de passar pelo site. O e-commerce não é mais o único ambiente de decisão, mas sim um dos pontos possíveis dentro de um ecossistema maior.
Isso muda o papel do SEO. Deixa de ser apenas otimização de páginas e passa a ser estruturação de dados, organização de catálogo e integração com plataformas que mediam a decisão.
Tráfego cresce, mas CAC não acompanha
Esse novo cenário ajuda a explicar um problema recorrente. O artigo da Search Lab sobre Inbound Marketing e Redução de CAC enfatiza que muitas empresas aumentam o tráfego orgânico, mas não conseguem reduzir o custo de aquisição. Isso acontece porque parte da decisão já ocorre fora do site, especialmente em interfaces de IA.
Sem estrutura técnica, o conteúdo gera visitas, mas não constrói um sistema de aquisição eficiente. SEO deixa de ser volume e passa a depender de arquitetura, dados consistentes e integração com outras camadas da jornada.
Segundo a McKinsey, até 55% dos consumidores já utilizam IA para tomar decisões de compra, e uma parcela relevante considera essas ferramentas como principal fonte de informação. Isso reforça que o ponto de decisão está se deslocando.
Mudança de comportamento redefine aquisição
A combinação desses fatores aponta para uma mudança clara. A jornada está fragmentada, a decisão foi antecipada e o site perdeu centralidade. O impacto disso é direto na forma como as empresas crescem.
Quem depende exclusivamente de mídia paga tende a enfrentar aumento de custo. Quem trabalha SEO apenas como canal de tráfego perde relevância na decisão. A disputa passa a acontecer antes, em múltiplos pontos de contato.
Iniciativas como a Search News acompanham esse movimento e traduzem essas mudanças em análises aplicadas ao mercado. Ao organizar temas como comportamento de busca, impacto da IA e relação com CAC, ajudam a entender como adaptar a estratégia a esse novo cenário.
O que muda daqui para frente
A busca deixou de ser um caminho previsível e passou a ser um ambiente distribuído. O desafio não é apenas atrair visitas, mas garantir presença nos momentos em que a decisão acontece.
Isso exige uma mudança de mentalidade. SEO precisa ser visto como infraestrutura de aquisição. O conteúdo precisa ser estruturado para diferentes interfaces. E o site passa a ser consequência de uma decisão já construída.
Ignorar esse movimento significa competir por cliques que talvez nunca aconteçam. Entender essa transformação é o primeiro passo para reduzir a dependência de mídia e construir crescimento mais eficiente.
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