O Nubank anunciou que irá implementar um novo modelo híbrido de trabalho a partir de julho de 2026. A decisão encerra um ciclo de cinco anos em formato remoto, período no qual as equipes se reuniam presencialmente pelo menos uma semana a cada trimestre.
Desde 2020, o banco digital experimentou um crescimento expressivo, passando de 59 milhões para 122 milhões de clientes no Brasil, México e Colômbia, além de registrar lucro líquido de US$ 637 milhões e faturamento recorde de US$ 3,7 bilhões no segundo trimestre de 2025.
O novo modelo, chamado internamente de Nu Way of Working 2.0, marca um retorno gradual ao convívio presencial. Segundo o fundador e CEO David Vélez, o plano prevê que, a partir de julho de 2026, cerca de 70% dos colaboradores passem a trabalhar presencialmente ao menos dois dias por semana, com aumento gradual para três dias semanais a partir de janeiro de 2027.
O Nubank justifica a mudança como parte de uma estratégia para fortalecer sua cultura organizacional, acelerar a inovação e aprimorar a eficiência operacional. Vélez destacou que a decisão foi cuidadosamente estudada e inspirada em práticas de empresas de alta performance global.

Divulgação/Nubank
“Concluímos que um modelo híbrido nos permitirá aproveitar o melhor dos dois mundos e é fundamental para as nossas ambições”, afirmou o CEO em mensagem enviada aos colaboradores.
Entre as medidas previstas estão investimentos em novos escritórios e infraestrutura de classe mundial nas cidades de São Paulo, Cidade do México e Bogotá, além da expansão para Campinas, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Miami, Palo Alto, Washington D.C., Berlim, Montevidéu e Durham. A empresa também anunciou apoio financeiro para realocação de colaboradores elegíveis e exceções específicas para funções que demandam pouca interação entre equipes.

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Evento interno gera polêmica e demissões
Durante o evento interno realizado na quinta-feira (6/11) para anunciar as mudanças — transmitido por videoconferência para cerca de 9 mil colaboradores — o debate entre funcionários gerou polêmica e desconforto resultado na demissão de 12 colaboradores.
Em resposta ao CidadeMarketing sobre o novo modelo de trabalho e as demissões, o Nubank emitiu nota oficial reafirmando seu compromisso com o diálogo interno, mas também com a ética e o respeito no ambiente de trabalho:
“O Nubank reafirma que trabalha para preservar canais e rituais abertos para o livre debate entre seus funcionários, mas não tolera desrespeito e violações de conduta. O Nubank não comenta casos individuais de desligamento.”
Equilíbrio entre flexibilidade e colaboração
Com a implementação do novo modelo, o Nubank busca equilibrar a autonomia do trabalho remoto com a conexão e a criatividade promovidas pelo convívio presencial.
Na mensagem interna, Vélez reconheceu que a transição poderá gerar desconforto para parte dos colaboradores que optaram pelo modelo remoto, mas reforçou o propósito de longo prazo da medida:
“Sabemos que esta decisão será bem recebida por muitos, mas gerará conturbação para outros. Entendemos o peso desta mudança e não a tomamos levianamente. Nosso objetivo é que cada Nubanker permaneça a bordo nesta nova jornada.”
A decisão do Nubank segue uma tendência observada entre grandes empresas de tecnologia e finanças globais, que vêm revisando seus modelos de trabalho após anos de operação remota. Organizações como Google, Meta, JPMorgan e Amazon já adotaram políticas híbridas semelhantes, alegando ganhos em inovação, produtividade e cultura corporativa.



























