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Natura: Especialistas debatem futuro da floresta Amazônica

Painel Amazônia Viva, transmitido online para convidados, reuniu diferentes perspectivas para reforçar a importância de modelos econômicos que geram conservação do bioma e empoderamento das comunidades locais

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Painel Amazonia Viva - Natura. Foto: Marcos Naoiki Suguio

Nesta quinta-feira, a Natura transmitiu o painel Amazônia Viva, iniciativa que faz integra uma série de diálogos para marcar o Mês da Amazônia. O debate reuniu o engenheiro florestal e coordenador do MapBiomas, Tasso Azevedo; o professor associado na New York University e integrante do projeto Amazônia 2030, Salo Coslovsky; a coordenadora no Instituto SINCHI de pesquisa científica da Amazônia colombiana, Maria Soledad Hernandez; a representante da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas das Ilha das Cinzas – ATAIC, Joaquina Barbosa Malheiros e a Diretora de sustentabilidade de Natura &Co para a América Latina, Denise Hills.

Um dos destaques do painel foi a recém-lançada plataforma PlenaMata, uma parceria entre Natura, Mapbiomas, InfoAmazonia e Hacklab, que disponibiliza informações e dados sobre desmatamento de forma acessível, com o objetivo de chamar a atenção para o tema e mobilizar a sociedade em torno de iniciativas de conservação e regeneração da floresta. Segundo dados do PRODES/INPE, o desmatamento já atingiu quase 20% da Amazônia brasileira desde o início da série histórica, em 1988.

Salo Coslovisky, do projeto “Amazônia 2030”, lembrou a Amazônia tem regiões muito ricas em espécies nativas cuja extração pode ser feita sem derrubar nenhuma árvore. Por outro lado, há também áreas já desmatadas que estão com baixa ou nenhuma produtividade. “A participação do Brasil no mercado global de exportação é de 1.3%. Se os produtos [brasileiros] compatíveis com a floresta tivessem esse mesmo market share, a receita seria de 2 bilhões de dólares. Então, estamos deixando isso na mesa ao não prestar atenção nesta possibilidade”.

Tasso Azevedo reforçou que a devastação tem se espalhado principalmente em áreas públicas de floresta não destinadas. “Por essa razão, um elemento muito importante é definir o uso dessas áreas a partir de lógicas sustentáveis”.  Nesse sentido, os painelistas apontaram a importância de modelos de negócios compatíveis com a conservação da maior floresta tropical do mundo, aliado ao empoderamento das comunidades locais.

A diretora de sustentabilidade de Natura &Co para América Latina, Denise Hills, destacou que há potencial para desenvolver negócios na Amazônia ao aliar desenvolvimento econômico com conservação da floresta em pé. “O desenvolvimento de atividades em harmonia com a floresta potencializa o valor da sociobiodiversidade e transformam as cadeias de produtos com inovação e tecnologia impacto econômico e socioambiental positivo, bem como desmatamento zero. Esses são os aprendizados que a Natura compartilha e reafirma, pois existe uma vocação para a Amazônia em que é possível conciliar o desenvolvimento com o impacto socioambiental positivo”.

O manejo sustentável de bioativos da Amazônia colombiana, realizado pela Natura em parceria com o Instituto Sinchi, também foi um dos pontos abordados no painel. Maria Soledad Hernadez afirmou que a parceria com a marca favorece a troca de experiências e conhecimentos, principalmente relacionados à inovação, pois ao estabelecer uma cadeia produtiva de ingredientes da floresta, os benefícios são compartilhados por diversos grupos. “A floresta em pé algo fundamental para todos e os produtos não madeireiros, extraídos com o manejo responsável, se transformam uma possibilidade de retorno digno com as comunidades”.

Dando ênfase ao modelo econômico ligado à sociobiodiversidade, a representante da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas (ATAIC), Joaquina Barbosa Malheiros, lembrou que a parceria com cooperativas ainda favorece outros aspectos como o empoderamento feminino. Ela disse que a renda gerada pelas mulheres que fazem parte das cadeias produtivas de ingredientes amazônicos, contribui para que percebam e reforcem seu protagonismo dentro do próprio núcleo familiar.  “Em geral, o trabalho da mulher é invisível. Na ATAIC, dentre as mais de 300 famílias que participam da cadeia produtiva, 60% são lideradas por mulheres. Com isso, temos a possibilidade de mostrar a importância delas tanto na renda famíliar quanto na cadeia produtiva, aliando o trabalho produtivo agroextrativista com o acesso ao conhecimento. Assim, valorizamos as pessoas”.

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