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French Fries Audio investe no analógico para proteger o craft

Movimento reafirma o posicionamento boutique da produtora de Bernardo Massot, tendo o craft e a sensibilidade artística como diferencial em um mercado cada vez mais dominado pela inteligência artificial.

Bernardo Massot mixando em uma mesa SSL 100% analógica.
Bernardo Massot mixando em uma mesa SSL 100% analógica. Crédito: Flavio Rodrigues / Divulgação

A French Fries Audio, produtora de áudio fundada por Bernardo Massot, amplia seu estúdio com a aquisição de novos equipamentos analógicos, entre eles unidades valvuladas, reforçando o compromisso da casa com o processo criativo manual em um momento de expansão acelerada da inteligência artificial na produção de conteúdo.

Para Massot, o contato direto com a máquina, ligar, ajustar, ouvir o resultado na hora, é parte essencial de um processo criativo que ele não pretende terceirizar para algoritmos. “O equipamento analógico, além de imprimir uma sonoridade única, exige que o processo seja artesanal, com decisões estratégicas tomadas a cada etapa. Por isso, pôr a mão na massa, além de divertido, permite um resultado único, menos ‘enlatado’ e óbvio do que os materiais gerados por IA”, afirma.

“A gente vive numa indústria em que é fácil pedir para uma ferramenta fazer tudo por você. Eu acredito que, mesmo utilizando as ferramentas que facilitam o processo, é importante ter uma parcela do trabalho que seja artesanal, o que certamente traz mais alma ao projeto. Quanto mais eu boto a mão, mais verdadeiro fica o resultado”, completa.

A decisão dialoga com um movimento mais amplo observado no mercado criativo global. Cada vez mais, profissionais de criação ao redor do mundo têm buscado fora do expediente atividades manuais para recuperar a satisfação do processo, enquanto vozes de peso do universo criativo defendem que a criação genuinamente original nasce do processo, e não apenas do resultado final.

Para Massot, a discussão também passa por posicionamento de mercado. Adepto do uso estratégico e ético da inteligência artificial na produção sonora, o produtor defende que craft e tecnologia não competem entre si, desde que cada um ocupe o seu lugar. “A IA sozinha não sustenta um discurso artístico. É preciso colocá-la a serviço de uma linha criativa pensada e dirigida por um humano. Aí ela pode acelerar e ajudar na exploração de possibilidades, sem perder o direcional do artista que conduz o projeto. Eu uso tecnologia quando ela serve ao resultado, mas o que me define é o ofício”, diz.

A renovação do estúdio reforça a identidade da French Fries Audio como uma produtora boutique e artística, com uma estrutura enxuta que a torna ágil e flexível, e uma entrega compatível com as maiores marcas do país e do mundo. A produtora transita entre os processos criativos da música e da publicidade, um crossover que se reflete na própria trajetória de Massot, que já colaborou com artistas como Rashid, Liniker, Péricles, Lenine, Papatinho, L7nnon, Ludmilla, Zeca Pagodinho, João Gomes, entre outros.

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