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Ipea analisa estratégias para universalizar o ensino remoto na pandemia

Estudo estima em R$ 3,8 bilhões o custo de iniciativas de distribuição de chips e equipamentos para 5,8 milhões de alunos da rede pública

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Foto: Thales Brandão

Seis milhões de estudantes brasileiros, da pré-escola à pós-graduação, não dispõem de acesso domiciliar à internet em banda larga ou em rede móvel 3G/4G para acompanhar aulas e outras atividades online. Destes, cerca de 5,8 milhões frequentam instituições públicas de ensino no país. O estudo Acesso Domiciliar à Internet e Ensino Remoto Durante a Pandemia, publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nesta quarta-feira (02), aponta as dificuldades e os caminhos para conectar essa parcela dos estudantes.

A pesquisa conclui que a universalização do acesso às atividades remotas entre estudantes de instituições públicas demanda múltiplas estratégias. A distribuição de chips de dados seria suficiente para conectar 800 mil estudantes da rede pública que já contam com sinal de internet e dispositivos. Para 1,8 milhões de alunos que não têm equipamentos, haveria necessidade de distribuir tablets ou celulares com chip de dados. Os que sequer têm acesso ao sinal de internet são 3,2 milhões – para eles, recomenda-se a utilização de kits de TV digital ou apostilas e outros materiais físicos.

O diagnóstico teve como base a análise de dados da Pnad Contínua de 2018 (IBGE) e mapeou o perfil da população sem acesso à internet em banda larga ou 3G/4G em domicílios. Os números mostram que a falta de acesso é mais marcante no meio rural e prejudica principalmente estudantes negros e de baixa renda. O estudo também revela que a Bahia é o estado com maior número absoluto de estudantes sem acesso à internet em banda larga ou 3G/4G, seguido pelo Pará, Maranhão, Ceará, São Paulo e Minas Gerais.

As estimativas indicam um custo aproximado de R$ 3,8 bilhões para a aquisição de chips de dados, celulares, tablets e kits de conversão à TV digital, com o objetivo de universalizar o acesso às tecnologias minimamente necessárias a atividades remotas de ensino. Esse montante equivale, por exemplo, a quase três vezes o total destinado em 2020 para a aquisição de livros didáticos pelo Programa Nacional do Livro Didático.

Na avaliação pesquisador do Ipea e economista Paulo Meyer Nascimento, é preciso avançar nas políticas de acesso à internet e a tecnologias para promover o ensino remoto no atual contexto da pandemia de Covid-19. “O diagnóstico mostra a necessidade de aprimorar políticas públicas para que esses estudantes permaneçam estudando, mesmo afastados fisicamente do ambiente escolar”, afirma.

Leia a Nota Técnica na íntegra

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