Consumidores brasileiros estão recorrendo às redes sociais para denunciar falhas no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da Nestlé após o anúncio do recall de diversas fórmulas infantis por risco de contaminação com toxinas. Em canais públicos, pais relatam que e-mails não são respondidos, chamadas para o 0800 não obtêm retorno e mensagens enviadas via WhatsApp permanecem sem resposta, gerando frustração e preocupação em famílias que dependem desses produtos para a nutrição de seus bebês.
“O telefone disponibilizado para atendimento não funciona. O e-mail só envia respostas automáticas. Na DM enviei as informações solicitadas e não tive retorno. E os posts mais recentes vocês bloqueiam os comentários. ÓTIMO atendimento mesmo. Sem falar o absurdo que é vender fórmulas contaminadas com toxinas…”, escreveu Joana no Instagram da Nestlé Brasil.
“Estou com duas latas de Nan Supreme Pro 6–12 do lote contaminado. Entrei em contato diversas vezes e ninguém atende”, lamentou Thaiane Pitelli.
“Quase uma semana tentando contato e nenhuma devolutiva. Nenhum canal funciona”, destacou Josi Pereira.
“Impossível entrar em contato com os canais da Nestlé. O telefone não funciona, o e-mail retorna com mensagem de erro de entrega e o WhatsApp entra no limbo e ninguém responde”, relatou Anselmo Ribeiro.
A Nestlé anunciou o recolhimento voluntário e preventivo de diversos lotes das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Science Pro Sensitive e Alfamino, após detectar a possível presença da toxina cereulide, produzida pela bactéria Bacillus cereus. A medida foi adotada em caráter preventivo, em articulação com órgãos reguladores como a Anvisa no Brasil e agências sanitárias de dezenas de países.
Denúncias de atendimento falho e SAC ineficiente
Pais relatam que, após perceberem sintomas como diarreia, vômitos e mal-estar em seus filhos, buscaram o SAC da Nestlé sem sucesso. Em plataformas como o Reclame Aqui, há registros de consumidores que afirmam ter arcado com os custos das fórmulas e enfrentado dificuldades para obter ressarcimento, substituição dos lotes ou informações claras sobre os procedimentos do recall.
“Tentei contato e respondi todas as vezes com fotos, dados do lote, dados pessoais e dados bancários para receber o reembolso das latas de leite contaminadas. Fiz isso quatro vezes por e-mail e duas vezes por WhatsApp, porém nunca fui respondida além de mensagens automáticas. Tenho quatro latas dos lotes contaminados, gastei mais de R$ 400,00 e ainda precisei comprar outras para usar”, relatou um consumidor de Foz do Iguaçu.
Muitos desses consumidores utilizam recursos financeiros limitados para garantir a alimentação de bebês e crianças. O atraso no atendimento e no ressarcimento gera prejuízo direto às famílias, que precisam buscar alternativas imediatas para manter seus filhos alimentados.
Além disso, em postagens oficiais da empresa sobre o tema, usuários relatam bloqueio de comentários — especialmente em publicações relacionadas ao recall. O bloqueio é visto como incompatível com a gravidade da situação, já que as redes sociais poderiam funcionar como canais complementares de escuta, resposta rápida e orientação personalizada. A prática amplia a irritação dos consumidores, que passam a buscar outros espaços públicos digitais para expressar sua indignação.
Produtos ainda à venda e risco à saúde
Embora a Nestlé e órgãos como a Anvisa tenham determinado a retirada imediata dos lotes afetados, consumidores afirmam ter encontrado produtos ainda à venda em estabelecimentos comerciais. Para pais e especialistas, isso representa um risco direto à saúde das crianças. A Anvisa proibiu a comercialização e a distribuição dos lotes identificados como de risco no Brasil e orienta a interrupção imediata do uso enquanto o recolhimento é realizado.
Para verificar se um produto faz parte do recall, é necessário conferir o número do lote impresso no fundo da lata ou na embalagem. As listas oficiais estão disponíveis nos canais da Nestlé e nos sites dos órgãos de vigilância sanitária. Em caso de confirmação, o uso deve ser suspenso e, havendo sintomas, é recomendada a busca por atendimento médico.
Abrangência internacional e gravidade do caso
O problema não se restringe ao Brasil. O recall teve início na Europa e já se estende a mais de 50 países, alcançando mercados como Argentina, Chile, México, Peru, Uruguai e China. Nas redes sociais globais da marca, consumidores cobram explicações sobre uma falha considerada grave e pedem comunicados públicos mais claros, com orientações sobre como proceder nos canais internacionais da empresa.
Apesar de a Nestlé afirmar que “até o momento não há relatos confirmados de reações adversas relacionadas aos produtos listados no recall em nenhuma parte do mundo”, multiplicam-se nas redes sociais relatos de crianças com sintomas compatíveis com os riscos descritos, incluindo casos de internação por problemas digestivos. Pais relatam gastos com consultas, internações e medicamentos, e cobram da empresa uma solução e o devido ressarcimento.
Diante da pressão social, o CEO da Nestlé divulgou um vídeo pedindo desculpas. “Peço desculpas sinceramente pela preocupação e pelos transtornos que podem ter sido causados aos pais e cuidadores dos nossos clientes. Como pai, entendo perfeitamente como isso é importante para vocês. Gostaria de garantir que, até o momento, não houve casos confirmados de doenças relacionadas aos produtos afetados”, afirmou Philipp Navratil.
Produtos, lotes e validade envolvidos

Reprodução/Site NestléAutoridades devem agir para proteger consumidores
Especialistas defendem que, além das ações da fabricante, órgãos de defesa do consumidor, como o Procon, e as agências sanitárias intensifiquem a fiscalização para garantir que produtos contaminados sejam efetivamente retirados das prateleiras. A permanência desses itens em lojas físicas ou virtuais representa risco direto à vida e à saúde das crianças.
Diante das denúncias públicas, cresce a pressão para que a Nestlé reestruture seus canais de atendimento, agilize ressarcimentos e adote maior transparência no processo de recall, evitando que famílias fiquem sem respostas em um momento crítico. Em uma investigação minuciosa nos comentários de pais e cuidadores nas redes sociais e no ReclameAqui, o CidadeMarketing identificou um padrão de aflição e relatos de reações em bebês e crianças após o consumo de produtos relacionados ao recall — cenário que contrasta com a afirmação recente da empresa de que não há casos confirmados.
Paralelamente, a Nestlé iniciou uma campanha de anúncios pagos no Google direcionando para sua página oficial sobre o recolhimento, reforçando termos como “recall Nestlé”, “consulta lote Nestlé” e “Nestlé lotes contaminados”, em uma tentativa de orientar consumidores que buscam informações sobre o caso.

Conversamos com a equipe de comunicação da Nestlé em busca de esclarecimentos sobre o caso e encaminhamos as seguintes perguntas:
1. Como está sendo conduzido o processo de acolhimento dos consumidores, recolhimento dos produtos e ressarcimento?
2. Qual é o prazo médio de resposta aos consumidores após o acionamento do SAC, seja por e-mail ou telefone?
3. Há registro confirmado de bebês ou crianças afetadas no Brasil por algum dos produtos incluídos no recall?
4. A Nestlé estuda ampliar o recall para novos lotes, considerando relatos de consumidores cujos filhos apresentaram problemas de saúde com produtos que não constam na lista atual?
Em resposta, a Nestlé informou o seguinte:
“A empresa reforçou o time de Atendimento ao Consumidor, que agora opera 24 horas por dia, sete dias por semana, por meio dos canais falecom@nestle.com.br, 0800 761 2500 e WhatsApp (11) 97893-3289, disponíveis para todos os pais e cuidadores que tenham qualquer dúvida.
A Nestlé orienta que consumidores que possuam produtos pertencentes aos lotes especificados no recall suspendam imediatamente o uso e entrem em contato com o Atendimento ao Consumidor para devolução gratuita e reembolso integral, pelos canais citados, que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana.
Segundo a companhia, o tempo médio de espera no atendimento tem ficado entre dois e três minutos nos últimos dias.
A empresa também disponibilizou uma ferramenta de consulta de lotes em seu site para auxiliar os consumidores a identificarem se os produtos adquiridos estão relacionados aos lotes envolvidos no recall:
https://www.nestlefamilynes.com.br/recolhimento-de-produto
A Nestlé reforça ainda que segue empenhada em atender todos os contatos recebidos, tratando cada caso de forma individual, em conformidade com seus processos internos e políticas de atendimento. A segurança e o bem-estar dos bebês permanecem como principal prioridade da companhia.
A identificação dos lotes é feita a partir da combinação do nome do produto, faixa etária, gramatura e número do lote, impresso na parte inferior da lata. Caso essas informações coincidam com a lista oficial do recall, o consumo deve ser interrompido. Se não coincidirem, o produto não faz parte dos lotes envolvidos e seu consumo é considerado seguro.
Para verificar se um produto faz parte do recall, acesse:
https://www.nestlefamilynes.com.br/recolhimento-de-produto“

























