O CEO da Azul, John Rodgerson, agradeceu à LATAM pelo apoio durante a crise operacional provocada por uma instabilidade no GPS. O problema afetou aeronaves Embraer E2.
Rodgerson publicou o agradecimento em seu perfil no LinkedIn. Segundo o executivo, os últimos dias foram alguns dos mais difíceis desde a fundação da Azul.
A instabilidade afetou diretamente a operação da companhia. Além disso, a Azul enfrentou uma segunda contingência no Aeroporto de Viracopos.
Falha no GPS afetou aeronaves Embraer E2
A instabilidade global no sistema GPS afetou aeronaves Embraer E2 utilizadas pela Azul. Como consequência, a companhia precisou alterar sua programação operacional.
A Azul informou que mais de 80 voos foram cancelados na terça-feira, 22 de setembro. Além disso, atrasos ampliaram os impactos para mais de 8 mil clientes.
A Embraer informou que o problema afetou alguns tipos de aeronaves. A fabricante também destacou que não houve impacto na segurança dos voos.
Segundo a Embraer, os jatos E2 possuem sistemas e procedimentos de navegação alternativos. Dessa forma, as aeronaves podem operar diante de determinadas instabilidades no GPS.
Viracopos também enfrentou falta de energia
A crise operacional da Azul teve ainda outro fator. Segundo Rodgerson, o Aeroporto de Viracopos, principal hub da companhia, ficou sem energia durante horas.
O executivo afirmou que o aeroporto movimenta quase 200 voos diários. Assim, a interrupção energética aumentou a complexidade da operação.
“Ontem e hoje foram alguns dos dias mais difíceis desde que fundamos a Azul, com duas contingências que impactaram diretamente a nossa operação”, afirmou Rodgerson.
O CEO explicou que a empresa precisou administrar simultaneamente os efeitos dos dois problemas. Por isso, a recuperação da malha exigiu mobilização durante a noite.
Mais de um terço da frota ficou em solo
Rodgerson também destacou o impacto da instabilidade nos jatos Embraer E2. Segundo o executivo, mais de um terço da frota da Azul ficou em solo.
A paralisação reduziu a capacidade operacional da companhia. Consequentemente, a empresa precisou replanejar voos, buscar alternativas e reorganizar o atendimento aos passageiros.
A Azul informou que as medidas foram tomadas priorizando a segurança. Além disso, a companhia manteve equipes mobilizadas para reduzir os impactos aos clientes.
“Nossos Tripulantes fizeram o que fazem de melhor. Estiveram na linha de frente, orientando Clientes, replanejando operações, buscando alternativas e trabalhando incansavelmente”, afirmou Rodgerson.
LATAM ofereceu ajuda para acomodar passageiros
Durante a crise, Rodgerson recebeu contatos de executivos da LATAM. Segundo o CEO, a concorrente ofereceu apoio para acomodar clientes da Azul.
O gesto chamou atenção porque Azul e LATAM disputam diariamente passageiros no mercado brasileiro. Entretanto, a situação excepcional criou uma oportunidade de cooperação entre as empresas.
“Ao longo do dia, recebi várias ligações da LATAM Airlines, oferecendo ajuda para acomodar nossos Clientes e apoiar nossa operação”, relatou Rodgerson.
O executivo destacou que a aviação possui uma dinâmica competitiva. Porém, também ressaltou que existem situações nas quais a cooperação ganha importância.
“Em um momento difícil, eles mostraram que o bem-estar dos Clientes pode estar acima da concorrência”, afirmou o CEO da Azul.
CEO da LATAM responde ao agradecimento
O CEO da LATAM Airlines Brasil, Jerome Cadier, respondeu à publicação de Rodgerson no LinkedIn.
Cadier afirmou que a companhia está disponível para apoiar a Azul em situações semelhantes. Além disso, lembrou que a parceria entre empresas pode funcionar nos momentos de dificuldade.
“John, conte sempre com a Latam em situações como a de ontem assim como nos contamos sempre com vocês quando passamos por situações difíceis”, escreveu Cadier.
O executivo também destacou a prioridade compartilhada pelas empresas.
“Nós competimos comercialmente, mas a segurança e a operação estarão sempre em primeiro lugar”, completou o CEO da LATAM.
Abra Group também se colocou à disposição
Rodgerson também agradeceu ao Abra Group, controlador de companhias como Avianca e GOL. O grupo enviou uma mensagem e ofereceu apoio durante a situação.
“Também quero agradecer ao Abra Group, que me enviou uma mensagem e se colocou à disposição para ajudar no que fosse necessário”, afirmou.
O gesto amplia o exemplo de cooperação entre empresas do setor. Afinal, diferentes companhias podem enfrentar situações operacionais extraordinárias.
Concorrência pode dar lugar à cooperação
O episódio mostra uma dimensão importante do setor aéreo. As empresas disputam clientes, rotas e participação de mercado diariamente.
Entretanto, uma contingência operacional pode ultrapassar os limites da concorrência comercial. Nesse cenário, a cooperação pode ajudar a reduzir impactos para passageiros.
A situação também envolve elementos externos à gestão cotidiana das companhias. Problemas técnicos, infraestrutura aeroportuária e sistemas de navegação podem exigir respostas rápidas.
Por isso, a atuação conjunta pode contribuir para preservar a continuidade da operação. Além disso, pode ajudar passageiros que precisam chegar aos seus destinos.
O objetivo não elimina a concorrência. Porém, demonstra que empresas concorrentes podem cooperar quando existe um interesse comum maior.
Segurança permanece como prioridade
Rodgerson reforçou que a segurança orientou as decisões tomadas pela Azul durante a crise. Segundo o executivo, nenhuma alternativa deveria comprometer esse princípio.
A Embraer também afirmou que a instabilidade no GPS não representou risco à segurança dos voos. A fabricante destacou os sistemas e procedimentos disponíveis na família E2.
A Azul, por sua vez, informou que adotou medidas operacionais para lidar com a situação. A companhia também declarou que os clientes afetados receberam assistência prevista pela Resolução 400 da Anac.
Rodgerson destacou o trabalho dos tripulantes e das equipes mobilizadas. Além disso, reconheceu publicamente empresas concorrentes que ofereceram apoio.
“Gestos como esses mostram que, quando a Segurança e o cuidado com os Clientes estão em jogo, a indústria aérea sabe se unir em torno daquilo que realmente importa”, concluiu o CEO da Azul.



























