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Futebol, Marketing e Imprevisibilidade em papo para “bons entendedores”

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Divulgação/Adidas

É um meme gravado em nossa mente: “Futebol é uma caixinha de surpresas!”
Mas é um meme desatualizado; Hoje, só se surpreende mesmo quem deseja permanecer mal informado. Vivemos a era dos algoritmos, uma era profundamente analítica.
Que o futebol, assim como outros esportes (felizmente, nem sempre na mesma proporção) é uma indústria articulada e entranhada, com ingerências políticas (com níveis de corrupção para lá de surpreendentes) e poderosas decisões de marketing influenciando o que acontece nas “quatro linhas” está cada vez mais claro até para os mais ingênuos e iniciantes torcedores. Contudo, para que esta indústria se sustente, há que existir o espetáculo da esportividade, competitividade e, porque não, o outro conhecido meme: “Futebol é arte!”

Basta assistir ao que ocorreu, até o momento, na copa do mundo 2018: a sequência de empates, a maioria dos resultados tímidos, a tsunami das seleções sem muita tradição e o fato de seleções historicamente fortes enfrentarem grandes dificuldades para se manter na copa (quando não sumariamente eliminadas), para compreender que o que está “em campo” é a falta de imprevisibilidade!
Exatamente; uma questão fundamental, para empresas e “times” de qualquer natureza consiste e sempre consistirá em um certo “elemento surpresa” que resulta em inovação –  inovação de ruptura e não incremental.

A maneira de jogar de cada seleção fica de tal maneira previsível hoje (com auxílio de algoritmos e a contínua coleta e análise de dados que a possibilidade de espetáculo fica por conta de questões emocionais que desequilibrem times e jogadores, questões circunstanciais inesperadas (como uma “chuva” que favorecia ainda mais o gênio de um “Senna” nas pistas, lesões de titulares que tirem o “Pelé” do banco) e alguma ousadia transformada em desobediência do “esquema de jogo” – a tal esperada engenhosidade do talento individual.

Tudo ficou muito previsível. Certos jogadores tendem a não ser substituídos e mantidos em campo o maior tempo possível (rendendo ou não) porque o patrocinador assim deseja, se quisermos provocar um cartão vermelho basta provocar os jogadores que, em nosso database, tem o maior índice de baixa resiliência e entram fácil no jogo das provocações, etc.
Salvo times que, atualmente, jogam com um só jogador e querem que ele resolva tudo absolutamente sozinho e que, por isto, são mega previsíveis,  os demais são muito “coletivos“ parecidos e, estratégica e taticamente armados seguindo os mesmos princípios (não há mais, nitidamente, uma escola alemã, uma escola espanhola ou brasileira de futebol).

Sem imprevisibilidade não há espetáculo real, sem imprevisibilidade a política prevalece e o patrocinador “decide” a escalação do time; sem imprevisibilidade o Marketing das empresas continua copiando, continuamente, o “esquema de jogo” das empresas concorrentes e o mercado torna-se  “uma enorme mesma coisa”. Enquanto isto nas preleções de futebol e nas reuniões empresariais continua sendo dito aos colaboradores para agregarem valor e fazer a meta acontecer com base em diferenciais cada vez menos palpáveis e mais ilusórios.

Sem imprevisibilidade, sem inovação de ruptura, não só em produtos e serviços mas em comunicação, marketing, modelo de negócios, etc.  não há real competitividade, mas um jogo onde se mantém os que ainda possuem o fôlego necessário para conseguir “apoios” que garantam  por tempo incerto vantagens insustentáveis.
É também,  por falta de imprevisibilidade que o mundo vem se tornando um enorme oligopólio com custos de produção e qualidade decrescentes e tudo está ficando, profundamente, previsível… Parece que querem reduzir o Marketing  somente e simplesmente, à propaganda.
Ao que parece, o pensamento mágico de determinadas organizações prefere continuar acreditando no favoritismo das vitórias anteriores; acreditando na eterna força da marca e que um momento de genialidade individual salve o festival de mediocridade (todos na média, ainda que elevada) imperante em certos “times”; tudo isto esquecendo que os outros “times” também estão com média elevada, lendo os mesmos livros, seguindo as mesmas personalidades e vendo os mesmos vídeos (mesmice globalizada).
Não há nada “melhor” para perder share que uma estratégia nitidamente previsível que expõe nitidamente as fragilidades a serem exploradas pela concorrência.

No marketing, assim como no esporte, podemos não ser perfeitos em todos os quesitos, mas temos que dominar os fundamentos e, explorando as mesmas forças (que já conhecemos), diminuir nossas fraquezas e mudar, continuamente, a maneira de jogar para surpreender o adversário/concorrente com um jogo que ele não conhece.

No esporte e mercado atuais, ganha quem trouxer à “campo” a maior imprevisibilidade.
Não é que o velho Darwin – que não foi nem futebolista, nem empresário – tinha razão?
Aposte na adaptação criativa, porque a “seleção natural” sempre vence a “campeã” da última “copa”.
Bom “Jogo” !

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