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Afinal, existe um perfil empreendedor?

Um negócio bem-sucedido está nas mãos de uma boa equipe e não de um grande empreendedor.

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Para você ser um empreendedor bem sucedido você precisa: Comprometimento, criatividade, valores, habilidades específicas, conhecimento do negócio, princípios, atitudes positivas, reconhecimento de oportunidade, auto confiança, sabedoria, coragem para enfrentar desafios, perseverança e determinação, habilidades de relacionamento inter-pessoal, boa comunicabilidade, liderança, facilidade de trabalhar em equipe, auto-motivação, capacidade de tomar decisões rapidamente, pensamento crítico, visão estratégica, foco em resultados, planejamento, fome de aprender, familiaridade com o mundo dos negócios, ótima rede de contatos, flexibilidade à mudança e ambientes dinâmicos, capacidade de resolução de problemas e conflitos, visão sistêmica e holística, ousadia, receptividade a riscos, tolerância a erros e falhas, familiaridade com tecnologia, capacidade de realização, habilidades de negociação, integridade, honestidade, fortes princípios éticos, eloqüência, facilidade para absorção de novos conceitos, alta percepção do ambiente, retórica, agilidade e dinamismo, forte personalidade, firmeza de caráter, enérgico, desenvolvedor de talentos, grande experiência, empatia, persuasão, organização, rapidez de raciocínio, auto-controle, sonhador realista, agressividade, independência, pragmatismo, entusiasmo, pró-atividade, iniciativa, forte presença pessoal, arrojo, faro para negócios, onipotente, ajuda velhinhas a atravessar a rua…

 

Ufa! E aí? Já desistiu de ser empreendedor? Pois é, a lista não termina. Se você fizer uma busca na internet sobre competências empreendedoras, você verá uma interminável lista de artigos sobre características que inquestionavelmente são obrigatórias em qualquer empreendedor e cada artigo traz uma lista diferente de virtudes, desanimando qualquer pessoa que vai empreender por não se julgar apta a desenvolver todas estas qualidades e concluindo que o empreendedor é um verdadeiro super-herói.
Vamos encerrar esta discussão: Todo mundo é empreendedor… e ninguém é! Confuso? Pois é.
Todo mundo é empreendedor no sentido em que todos possuem algumas características (natas ou adquiridas) para empreender. Ninguém é porque o empreendedor-herói não existe, ninguém consegue deter sozinho todas estas qualidades. Está bem, esta resposta não é suficiente, parece sair pela tangente, não é?
Que tal essa: Quem precisa deter estas competências todas é o negócio e não o empreendedor.

 

Assim, se você não se julga empreendedor porque não sabe vender, contrate alguém que saiba! Se você não é bom com planilhas financeiras, contrate um administrador. Se você não tem pleno domínio técnico sobre o produto, traga alguém que tenha. No fundo, empreendedorismo é sempre coletivo.

 

Um negócio bem-sucedido está nas mãos de uma boa equipe e não de um grande empreendedor.

 

Os empreendedores precisam aprender a separar o negócio do indivíduo e quando falamos de perfil, falamos do empreendedor e não do negócio.
Para ajudar a pensar, vamos pensar da seguinte forma: O que é que ninguém pode fazer por você?

Perfil empreendedor está mais relacionado com o SER do que com o FAZER
Agora volte para a lista acima e repasse com esta pergunta: Quais itens daquela lista não podem ser delegados, estão relacionados com quem o empreendedor é e não com o que ele faz? Eis algumas sugestões:
1) Determinação: Barreiras e dificuldades vão surgir, sempre. Nem sempre adianta lutar contra elas, e também não tem como delegar, portanto, o empreendedor precisa estar fortalecido pela sua determinação para resistir à tentação de desistir quando as coisas ficam feias.
2) Autonomia: Não confunda com independência. O empreendedor não é independente, pelo contrário, ele depende de muitas pessoas e empresas, mas a decisão é dele. Autonomia é o controle, a capacidade de deter o poder de decidir, de definir por conta própria o caminho que vai seguir.
3) Receptividade ao risco: Não tem como delegar, quanto mais o empreendedor compromete recursos (financeiros ou não) no negócio, maior é o risco que assume. Quanto maior o grau de incerteza do empreendimento, maior o risco. Só que a medida aqui não é quanto maior, melhor, senão ele deixa de ser um empreendedor e se transforma em jogador. O risco é sempre calculado e se torna tolerável na medida em que ele pode agir para minimizá-lo.
4) Autoconfiança: Não há dúvida da importância da autoconfiança, é o que alimenta sua determinação, perseverança e otimismo. É o que torna o futuro claro para ele, mas também não pode ser em excesso. O excesso de autoconfiança leva à soberba, aos julgamentos equivocados, à cegueira.
5) Resiliência: O empreendedor no começo não vai ter todos os recursos que precisa, vai ter que mudar os planos várias vezes, vai ter que se adaptar a circunstâncias que mudam o tempo todo, precisa estar sempre com a mente aberta para aprender sempre. A resiliência é capacidade de evoluir para incorporar (e não só aceitar) uma mudança.
6) Visão: Em diversos aspectos, ter visão é condição fundamental para o empreendedor enxergar a si mesmo e o seu negócio sob perspectiva, seja do ponto de vista do cliente, de outro funcionário ou dos clientes, alimentando um olhar crítico que ajuda a redirecionar a estratégia, quando necessário ou vislumbrar o futuro que este empreendimento vai criar por meio de suas mãos.

 

O que estas características têm em comum e que são inerentes ao empreendedor, são competências pessoais e não de negócios. O negócio pode estar indo muito bem, mas se o empreendedor não possuir uma ou algumas destas características, pode pôr tudo a perder ou, no mínimo, estagnar o crescimento da empresa. Todas as demais características são dispensáveis para o empreendedor. Ele não tem ideias? Alguém vai trazer as ideias para ele desenvolver. Ele não tem bons contatos? Alguém pode conhecer as pessoas que ele vai precisar trazer para o negócio. Ele não tem empatia? Um sócio pode exercer influência sobre as pessoas, principalmente funcionários.
Por isso, se você vai empreender, procure iniciar um processo de autoconhecimento. Você precisa saber no que você é bom e o que você não sabe (ou não gosta) de fazer. A partir daí, o seu negócio deverá ser muito bom nas suas competências básicas e, de alguma forma, você precisa trazer pessoas para ajuda-lo naquilo que você não domina bem, mas que o negócio vai precisar. Lembre-se, os melhores empreendedores do mundo podem ter as mesmas virtudes e defeitos de você.
Por fim, muitos empreendedores começaram tão despreparados, ingênuos e imaturos quanto você, mas eles aprenderam com o processo, por isso não importa tanto quais são as competências que você detém e sim a sua capacidade de incorporar novas e evoluir enquanto competências empreendedoras tanto quando o seu negócio se desenvolve. O empreendedor verdadeiro está em constante evolução, constantemente aprendendo e crescendo, acabando por se tornar uma pessoa muito diferente de quando começou o negócio e isso pode e vai acontecer com você também.

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