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Inovar ou empreender

Organizações que investem em inovação corporativa dão um importante passo para buscar diferenciais competitivos e crescimento sustentável.

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Após anos atendendo empresas e implantando programas de inovação corporativa, sempre me deparo com a mesma dúvida dos clientes: Empreender é a mesma coisa que inovar?
Há uma ideia pré-concebida, talvez um pouco equivocada, de que toda iniciativa empreendedora é inovadora e que toda inovação é empreendedorismo, uma confusão muito comum não só no universo dos empreendedores como no mundo corporativo também. Vamos tentar explicar esta diferença.
Dependendo da sua concepção sobre inovação, e existem várias, inovação pode ter uma interpretação bastante ampla e incorporar tanto as inovações de ruptura, como o desenvolvimento de novos produtos baseados em tecnologias emergentes, quanto as inovações incrementais. Não há dúvidas que um novo produto, que não existia antes, é uma inovação, mas não há a mesma concordância quando se trata de melhorar um processo operacional na empresa.

 

Caso esta melhoria seja apenas fazer com melhor eficiência, sem erros, o que sempre foi feito, não é uma inovação, porém, se a melhoria do processo acontece devido a uma prática, uma tecnologia, uma ferramenta ou qualquer outro artifício que não existia neste processo antes, então pode ser considerada uma inovação.
Caso a inovação seja de ruptura, por meio do lançamento de um novo produto, ou de modificações em produtos já existentes, transformar este produto em um negócio de sucesso pode ser considerado o próximo passo depois de inovar, ou seja, empreender. Empreende-se quando se leva esta inovação ao mercado, desenvolve-se este mercado, gera atratividade para o produto, o que leva às vendas e ao lucro. Se o lucro for crescente, fica evidente o sucesso da iniciativa empreendedora.

 

Assim, a criação de um novo negócio é empreendedorismo puro. No exemplo da melhoria em um processo já existente seria fácil dizer que não há como confundir com empreendedorismo, uma vez que não se trata mais da criação de um novo negócio, porém a definição não é tão clara assim, sobretudo quando falamos de empreendedorismo corporativo, pois neste caso não falamos apenas de novos negócios, mas de iniciativas que levam a mudanças significativas na organização e no negócio existente.
Para facilitar o entendimento, vamos partir do pressuposto que empreendedorismo está sempre ancorado em três princípios fundamentais: A inovação, o risco e a autonomia. Não existe empreendedorismo se estes três princípios não estiverem presentes. A inovação é apenas um destes componentes. Se a iniciativa de melhorar um processo pode ser considerada uma inovação, ela só será uma iniciativa empreendedora se os outros dois componentes estiverem presentes.

 

Assim, no exemplo dado, é preciso que a pessoa que implantou esta melhoria tenha tomado a decisão de faze-la por sua própria conta e não que tenha sido mandado pelo seu chefe ou que seja uma obrigação sua faze-lo por fazer parte das funções atribuídas ao cargo que ocupa. É isso que caracteriza a autonomia, além do fato de ele não precisar pedir permissão para fazê-lo e, mesmo que precise de autorização e ele não a consegue, fará do mesmo jeito porque acredita nela. Autonomia, neste sentido pode ser dada ao funcionário ou pode ser exercida pelo próprio funcionário, sem que lhe tenha sido concedida.  Da mesma forma, o empreendedor assume um risco ao se engajar nesta tentativa de melhoria. O risco implica que sua tentativa pode não dar certo e o eventual fracasso, assim como as perdas decorrentes, caracterizam o risco que ele corre. Esta perda pode ser de prestígio, de tempo, de reputação, de oportunidades de carreira ou mesmo o próprio emprego, principalmente se ele resolveu dar a si mesmo a autoridade para realizar a melhoria sem o consentimento formal da organização ou de seus superiores.

 

Por isso, organizações que investem em inovação corporativa dão um importante passo para buscar diferenciais competitivos e crescimento sustentável, mas seus benefícios serão sempre limitados enquanto os funcionários não puderem colocar em prática suas próprias ideias. O passo seguinte à uma cultura de inovação é a cultura empreendedora, que significa dar liberdade para que os funcionários executem suas ideias, mesmo que isso signifique perdas, riscos e prejuízos, porque inovar de verdade implica na alta probabilidade de fracasso, que deve ser incorporado na organização como custos inevitáveis da inovação. Só funcionários com perfil empreendedor podem dar vazão a estas inovações, assumindo os riscos inerentes ao processo de transformação de uma cultura tradicional para a cultura voltada para a inovação. Pessoas com este perfil não pedem permissão para realizar suas ideias, e, se pedem, não desistem quando a resposta for negativa. Embora possa parecer insubordinação e seja visto com ressalvas pelas lideranças, muitas vezes, são justamente estes funcionários que promovem as mudanças mais necessárias na organização.

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