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23/12/2009 - 20h14

Falta chope em bares e AmBev prevê expansão em 2010

O problema, segundo ele, se concentra na distribuição da AmBev, dona de 70% do mercado de cerveja e chope no país.
Lílian Cunha

Valor Online

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

 

Mal o copo esvazia, lá vem o garçom com outro, cheio de chope até a borda. A cena, que acontece mesmo que o cliente não queira beber mais, é típica de algumas choperias, principalmente em São Paulo. Mas o costume - às vezes bem-vindo, às vezes irritante - está se tornando raro. O motivo? Falta chope em vários bares do país, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). " A situação é mais grave em São Paulo e em Minas Gerais " , diz Paulo Solmucci, presidente da entidade.

 

O problema, segundo ele, se concentra na distribuição da AmBev, dona de 70% do mercado de cerveja e chope no país, segundo pesquisa da Nielsen de novembro. " Os bares fazem os pedidos e a empresa não entrega. Ou manda para o bar metade do volume " , explica Solmucci.  " Na madrugada de sexta-feira passada já começou a faltar e só conseguimos que a AmBev normalizasse a entrega no almoço de domingo " , conta um gerente de bar de São Paulo, que preferiu não se identificar.

 

A falha na distribuição - que também já está atingindo o fornecimento de cerveja em garrafa, segundo a Abrasel - tem três motivos básicos. O primeiro é claro: o aumento do consumo. Com o calor e o aumento de renda da população, os bares estão vendendo mais. " Aqui o movimento está 10% melhor do que no final do ano passado " , diz Cássio Piccolo, um dos proprietários do bar especializado em cervejas importadas Frangó, na zona Norte de São Paulo. Segundo a Abrasel, os bares de todo país estão fechando o segundo semestre do ano com um aumento no faturamento médio de 8%. E terminarão 2009 com faturamento de R$ 62 bilhões, 5% mais que em 2008.

 

Diante da demanda aquecida, muitos donos de bar anteciparam as compras, fazendo pedidos maiores à AmBev, o que gerou um pico de entregas ainda maior. Por último, há o gargalo logístico, que é pior em São Paulo, onde além do trânsito ruim, há restrição de horários para circulação de caminhões.

 

" Todo final de ano é assim, embora desta vez esteja sendo um pouco pior " , desabafa o dono de um bar de Belo Horizonte, que pediu anonimato. " O fato é que a AmBev calcula o custo de atender 100% do pico de demanda ou só parte dele. Para eles sai mais barato não entregar tudo. "

 

A AmBev admite o problema, embora faça a ressalva de que as falhas se restringem a São Paulo. Por meio de um comunicado, a companhia informou que " em função do aumento da demanda e da complexidade logística de São Paulo (...), houve complicações pontuais na entrega de chope em períodos de maior consumo. " A empresa não informou o quanto está usando de sua capacidade instalada para a produção de cerveja.

 

Mas acrescentou que em 2010 irá investir até R$ 1,5 bilhão para ampliar a produção e a capacidade de distribuição e atender ao crescimento da demanda. " Isso vai ser preciso mesmo " , diz o consultor especialista no mercado de bebidas, Adalberto Viviani. " Com mais dinheiro, as pessoas estão comprando mais e o giro da cerveja nos pontos de venda tende a se acelerar. Isso pode dar um nó na logística de distribuição de todas as cervejarias " , afirma.



 
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