Segunda maior mineradora do mundo, a Vale começou 2012 com destaque global. A empresa foi agraciada com o prêmio de pior empresa do mundo pelo Public Eye, mais conhecido como "Oscar da Vergonha". Promovido pela Declaração de Berna e pelo Greenpeace Suíça, o prêmio foi divulgado hoje, durante o Fórum Econômico Mundial, de Davos. Quase 89 mil internautas de todo o mundo votaram nas seis piores corporações globais. A Vale recebeu 25.041 votos, seguida pela Tepco, operadora da usina nuclear de Fukushima, com 24.245, e a Samsung, com 19.014 votos.
A Vale foi eleita por sua participação na construção da usina de Belo Monte, cuja barragem principal está sendo erguida na Volta Grande do Rio Xingu, no município de Altamira, no Pará. A futura usina afetará drasticamente o fluxo e qualidade de água da região, alangando uma área de 516 km2 de terra e obrigando o deslocamento de 40 mil pessoas, entre ribeirinhos, comunidades indígenas e pequenos proprietários de terra. A indicação da Vale ao prêmio foi feita pela Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale (International Network of People Affected by Vale), representada pela organização brasileira Rede Justiça nos Trilhos, e as ONGs Amazon Watch e International Rivers, parceiras do Movimento Xingu Vivo para Sempre.
O resultado foi anunciado por François Meienberg, co-diretora da Declaração de Berne, e por Kumi Naidoo, diretor-executivo do Greenpeace Internacional. "O Public Eye Award é nossa chance de mostrar aos líderes das grandes corporações, que estão sentados bem próximo de nós aqui em Davos, que a humanidade e o meio ambiente também têm voz e que essa voz não será silenciada", disse Naidoo. Na categoria voto do júri, o banco inglês Barcleys também ganhou o prêmio de piores práticas socioambientais por sua especulação com os preços de alimentos, que levou mais de 44 milhões de pessoas em todo mundo à pobreza extrema.