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21/12/2009 - 15h51

Intel planeja integrar funções gráficas nos chips

A Intel espera obter apenas uma pequena melhoria no desempenho ao acrescentar capacidade gráfica à nova versão Pineview do Atom.
Don Clark

The Wall Street Journal

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

 

Nos anos 90, quando a Microsoft Corp. combinou dois softwares em um só produto, alguns concorrentes se queixaram. Agora, a Intel Corp. está prestes a experimentar uma estratégia semelhante, mas desta vez é mais provável que as rivais vão seguir seu exemplo.  A grande fabricante de chips está preparando duas novas famílias de microprocessadores - os motores básicos que realizam os cálculos nos PCs - que integram circuitos hoje encontrados em chips separados, encarregados do processamento de vídeos e gráficos em três dimensões na tela. Compactar tais funções em menos chips traz um desempenho mais rápido a um preço mais baixo, assim como vida mais longa para as baterias dos laptops.

 

Hoje, a Intel planeja anunciar o Pineview, nome provisório para uma nova versão do seu microprocessador básico Atom, que já incorpora capacidade gráfica. Na Feira de Eletrônicos de Consumo a se realizar no mês que vem em Las Vegas, a empresa planeja anunciar 17 chips da família Westmere para laptops e PCs de mesa comuns, que utilizam uma abordagem semelhante para melhorar o desempenho gráfico.

 

Essas iniciativas podem aumentar a pressão sobre as concorrentes Advanced Micro Devices Inc. e Nvidia Corp., que nos últimos tempos vêm questionando regularmente algumas táticas da Intel. Quarta-feira passada a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos abriu um processo que acusa a Intel de asfixiar a concorrência ilegalmente. A empresa nega as acusações.

 

Desta vez, porém, as rivais da Intel criticam os novos produtos mas não questionam a estratégia. De fato, a integração de mais e mais recursos nos chips é considerada uma das poucas certezas que a indústria tem pela frente - uma conseqüência da corrida para reduzir os circuitos, conhecida como Lei de Moore, nome do ex-presidente do conselho da Intel.   "É uma tendência impossível de deter", disse Tony King-Smith, vice-presidente de marketing da Imagination Technologies Ltd., empresa britânica que já licenciou tecnologias gráficas para a Intel e outros fabricantes de chips.

 

Nos últimos dez anos as lutas da Microsoft contra as acusações de truste vieram, em parte, da sua decisão de integrar seu navegador Internet Explorer ao sistema operacional Windows - por motivos que, segundo o Departamento de Justiça americano, se destinavam sobretudo a prejudicar a rival Netscape Communications Corp. A Microsoft foi declarada culpada de violar as leis antitruste, mas conseguiu resistir à maioria das restrições sobre seu direito de inovar mediante o acréscimo de recursos aos seus produtos.

 

A queixa na Comissão Federal de Comércio, que se segue a processos semelhantes por parte de órgãos reguladores na Europa e na Ásia, ataca algumas políticas de preço da Intel., por oferecer o Atom juntamente com seus conjuntos de chips, produtos que conectam os microprocessadores ao resto do sistema. Mas o processo não ataca a ideia de integrar categorias diferentes de chips.

 

De fato, chips que antes eram separados, tais como co-processadores matemáticos, já se tornaram, de rotina, parte integrante dos microprocessadores. Em produtos onde o espaço é precioso, como telefones celulares, os circuitos gráficos já foram combinados aos microprocessadores há anos.

 

Combinar dois produtos é uma nova estratégia em chips para PC, e poderia ter um impacto sobre a reputação da Intel na área gráfica, que não é muito boa. Os conjuntos de chips da empresa, que incluem funções gráficas básicas, detêm mais de 50% do mercado.

 

Mas a Intel não progrediu muito nas GPUs (Unidades de Processamento Gráfico, ou placas de vídeo) mais poderosas - produtos independentes que são necessários para rodar videogames sofisticados. Recentemente a empresa informou que vai cancelar a primeira versão de um chip, com nome provisório de Larrabee que, segundo a fabricante, iria desafiar a Nvidia e a AMD, especialistas em GPU.

 

A Intel espera obter apenas uma pequena melhoria no desempenho ao acrescentar capacidade gráfica à nova versão Pineview do Atom, usado nos laptops mais simples, chamados netbooks.  Stephen Smith, um dos vice-presidentes e diretor do grupo de arquitetura da empresa, disse que um benefício maior virá ao se reduzir o número de chips necessários para fabricar um netbook - baixando o custo desses portáteis, já vendidos a menos de US$ 300.

 

A linha Westmere é a primeira a explorar uma tecnologia de fabricação que reduz as dimensões dos transístores de 45 nanômetros, ou bilionésimos de metro, para 32 nanômetros. Entre outras melhorias, os chips Westmere colocam circuitos gráficos em um chip de 45 nanômeros em um único envoltório plástico, junto com um microprocessador de 32 nanômetros, formando uma unidade que se conecta a uma entrada convencional, como um único chip.



 
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