A empresa E-Commerce Media, detentora dos sites comparadores de preço Buscapé e Bondfaro, apresentou representação contra o Google junto à Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça. A alegação é de que o Google Busca passou a favorecer artificialmente seu próprio comparador de preço chamado Google Shopping no resultado de suas buscas orgânicas. O site Buscapé denuncia que apenas o Google Shopping tem o direito de divulgar imagens de produtos, apontar avaliações, comentários, número de lojas anunciantes e até mesmo preços no resultado de pesquisa do Google Busca.
De acordo com a representação, desde os primeiros dias de existência o Google Shopping apareceu com elevada frequência na primeira página do Google Busca e, principalmente, nas primeiras posições entre os links não-patrocinados. O fato foi considerado inusitado para um produto recém-lançado, o que poderia apontar para manipulação no algoritmo de busca do site. Além da empresa Buscapé, que detém 31% do mercado, pelo menos outras dez empresas desse setor no Brasil poderão se beneficiar de uma ação contra a atuação do Google. Entre essas empresas que fazem cotação, estão ShoppingUOL (24%), Bondfaro (18%), Zura! (7%), JaCotei (5%) e CotaPreço (5%).
Segundo a empresa, haveria evidências de que a busca do Google não seria isonômica, além da comparação feita pela Google Shopping ser menos eficiente. Assim, os consumidores poderiam ser prejudicados por comparações de preços de menor qualidade, aumento artificial do poder de mercado do Google no ramo de publicidade virtual, conjugado com um aumento de preços dos espaços publicitários on-line. Com essa representação, a companhia também aponta que a sociedade será a maior prejudicada com a forma predatória de atuação do Google, que vem tentando ampliar suas linhas de negócios. O vice-presidente de operações do Buscapé, Rodrigo Borer, aponta que a representação tem como objetivo demonstrar que toda sociedade brasileira perde com manipulação dos resultados da busca, já que é hoje a atual ferramenta pelo qual os internautas buscam informações, de notícias a decisões de compra.
"O mercado está sendo prejudicado por práticas discriminatórias e, quando lançou o novo serviço, privilegiou a posição do Google Shopping em detrimento dos outros sites", alerta. De acordo com Borer, o Buscapé pode provar tecnicamente que os resultados das buscas no Google são "artificiais e manipulados". Com base na denúncia, o Google tem prazo de 15 dias para se manifestar junto à SDE.