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19/12/2009 - 10h23

Google e Apple concorrem pela compra de empresas novatas

Nos últimos meses, as empresas se enfrentaram em pelo menos dois negócios, segundo pessoas familiarizadas com a questão.
Jessica E. Vascellaro e Yukari Iwatani Kane

The Wall Street Journal

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

 

O Google Inc. e a Apple Inc., que prosperaram durante muito tempo sem entrar no terreno um do outro, estão tentando adquirir algumas das mesmas empresas novatas do Vale do Silício e desenvolvendo produtos que os põem em concorrência mais direta.

 

Nos últimos meses, as empresas se enfrentaram em pelo menos dois negócios, segundo pessoas familiarizadas com a questão. A Apple, dizem pessoas a par do assunto, tentou comprar a empresa de publicidade em celular AdMob Inc., cujo contrato de compra o Google fechou em novembro, por US$ 750 milhões. O Google estava em sérias discussões para adquirir a empresa de música online La La Media Inc. antes de a Apple fechar o acordo este mês, por US$ 85 milhões, segundo pessoas informadas sobre o tema.

 

Um porta-voz do Google se negou a comentar. Um porta-voz da Apple não quis comentar além de um comunicado que afirma que a empresa compra empresas de tecnologia menores de tempos em tempos mas não comenta seus propósitos ou planos.  Durante anos, as duas gigantes se concentraram em partes diferentes do mercado de informática, com o Google dominante em busca na internet e a Apple fabricando computadores e eletrônicos. O diretor-presidente do Google, Eric Schmidt, era membro do conselho da Apple até ter renunciado em agosto, em meio a questionamentos das autoridades. Mas as empresas começaram a incursionar no terreno uma da outra - o Google lançou um navegador de internet e começou a desenvolver um sistema operacional que compete com produtos da Apple.

 

 

O Google e a Apple também duelam na arena dos celulares, com aparelhos que rodam o sistema operacional Android do Google desafiando o popular iPhone da Apple. Ambas as empresas estão tentando atrair programadores para que façam aplicativos para seus aparelhos - uma área na qual a Apple largou na frente. Em agosto, o Google informou a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos que seu software Google Voice de telefonia havia sido rejeitado pela Apple para inclusão em sua App Store, o que a Apple contestou.

 

O Google tem criado aplicativos de celular mais avançados - como um serviço que permite que se faça busca tirando-se uma foto - para telefones Android primeiro. A empresa também está negociando com fabricantes de celulares sobre a produção de aparelhos com a marca Google mais proeminente e aplicativos da empresa pré-instalados, dizem pessoas a par da questão.  As disputas pela Lala e pela AdMob sugerem que Google e Apple têm outros planos de invadir o terreno uma da outra.

 

Pessoas a par do pensamento dentro da Apple dizem que ela queria comprar a AdMob para lucrar com a publicidade em alguns dos aplicativos da App Store. Atualmente, cerca de 25% dos 100.000 aplicativos na loja virtual da Apple são gratuitos, segundo a bolsa de anúncios Mobclix Inc., e são muitas vezes sustentados por publicidade.  Embora a Apple fique com 30% de qualquer aplicativo que um programador vender por meio de sua loja, ela não ganha com os aplicativos gratuitos ou sua publicidade. O Google, por sua vez, já tem uma presença no mercado de publicidade para celular.

 

Essas pessoas dizem que a Apple também tentou comprar a AdMob como medida defensiva para evitar que o Google descubra detalhes sobre a App Store. A AdMob, que vende anúncios dentro de aplicativos, tem acesso a análises sobre o mercado de celular.  Ao mesmo tempo, o Google está com mais ambições em música digital, área na qual o iTunes da Apple é dominante. O Google lançou recentemente um novo serviço de busca e audição de músicas, com a Lala como uma de suas várias parceiras.

 

Mais aquisições podem estar sendo discutidas. O Google, que tem quase US$ 22 bilhões em caixa, tem estado particularmente ativo. Além da AdMob, o Google comprou a empresa de publicidade em telas Teracent Corp. e a provedora de telefonia pela internet Gizmo5 em novembro. Na semana passada, comprou a AppJet, uma pequena produtora de software de colaboração online.

 

Pessoas a par da questão dizem que a Apple, que tem US$ 23,5 bilhões em caixa, também tem explorado a compra de tecnologias relacionadas ao iPhone que ainda não tem. Suas iniciativas têm gerado atenção particular porque a Apple historicamente fez menos aquisições que outras empresas de seu tamanho.



 
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