O setor de serviços, que vem sustentando o bom desempenho da economia apesar da fraqueza da indústria, já dá sinais mais nítidos de desaquecimento. Ontem, a FGV divulgou que a confiança dos empresários do setor recuou em setembro pelo segundo mês seguido, acumulando queda de 1,6% no terceiro trimestre ante o anterior. O índice de atividade de serviços do HSBC também mostrou ontem que o setor registrou em setembro o menor ritmo de crescimento desde julho de 2009. Para o economista da FGV Silvio Sales, os dados aumentam a expectativa de nova desaceleração do PIB (Produto Interno Bruto) no terceiro trimestre. O setor responde por quase 70% do PIB. A projeção da LCA é que o crescimento da economia entre julho e setembro tenha ficado perto de zero.
O economista da LCA Homero Guizzo diz que o desempenho mais fraco dos serviços não deve bastar para compensar com folga a contração projetada para a indústria. Segundo os economistas, o desaquecimento e a queda do otimismo no setor refletem as medidas adotadas pelo Banco Central desde dezembro para reduzir a expansão do consumo e a incerteza gerada pela crise externa. A pesquisa da FGV mostra que a confiança caiu mais nos segmentos que prestam serviços para outras empresas. Com a renda dos trabalhadores ainda em alta, os que atendem às famílias mantiveram-se otimistas.
O consumo, no entanto, também dá sinais de desaceleração. Segundo dados da Serasa Experian, as vendas do comércio recuaram 0,3% em setembro ante agosto.
Fonte: FolhaOnline