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05/12/2009 - 02h01

Analistas divergem sobre impacto da fusão de Pão de Açúcar e Casas Bahia no consumidor

A consolidação do setor de varejo já era esperada pelo mercado, diz Pastore.
FolhaOnline

Ana Carolina Lourençon Andrade

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

A fusão entre Pão de Açúcar e Casas Bahia, anunciada na manhã desta sexta-feira, deve prejudicar o consumidor com a redução de opções para compra e aumento de preços, devido à concentração do setor varejista, avalia a coordenadora institucional da Pro Teste, Maria Inês Dolci. "Num primeiro momento, parece prejudicial.Tudo vai depender da avaliação que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) vai fazer sobre o caso. Se o negócio for aprovado, é preciso preservar o equilíbrio da concorrência, para que não haja abuso de preços e o consumidor não fique sem opções de escolha", diz.

 

A coordenadora lembra que, por se tratar de uma empresa que atende preferencialmente as classes C e D, seria oportuno que as Casas Bahia continuassem oferecendo as mesmas condições de preços acessíveis e prazos de pagamento que pratica atualmente para que o consumidor de baixa renda não fique desamparado.  O coordenador do núcleo de varejo da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Ricardo Pastore, discorda e acha que haverá benefícios aos clientes.

 

"A união reflete positivamente para o consumidor porque uma empresa desse porte do Pão de Açúcar deve encontrar formas de economia de escala e uma série de vantagens que devem ser repassadas ao consumidor"

 

Concentração prevista

A consolidação do setor de varejo já era esperada pelo mercado, diz Pastore. Para ele, a mudança de foco do Pão de Açúcar, que sempre atuou principalmente no segmento alimentício e desde junho expandiu seu ramo para o segmento não-alimentício com a compra do Ponto Frio, é estratégica e busca aumentar as margens de lucro do grupo.  "Com o recente crescimento do mercado de baixa renda, o setor de alimentos tende a ser a menina dos olhos do varejo. Isso porque com a expansão da renda, as classes C e D devem aumentar, daqui para frente, o consumo de eletrodomésticos e mobília, que possuem um valor agregado bem maior e tendem a gerar mais lucro".

 

Pastore afirma que, como o valor dos alimentos é muito pequeno comparado a demais itens de consumo, a margem de lucro que o varejo alimentício tem é muito pequena, enquanto a venda de bens duráveis como eletroeletrônicos e móveis dá mais retorno, pois os produtos são vendidos a prazo em parcelas que embutem juros elevados, aumentando o ganho da empresa, além de possuírem maior valor agregado.  Além do ganho financeiro na hora da venda, o interesse do Pão de Açúcar está na barganha com os fornecedores, segundo Pastore.

 

Com a junção de duas empresas de grande porte que vendem eletrodomésticos, como é o caso de Ponto Frio e Casas Bahia, as negociações de preços serão melhores para o Pão de Açúcar, que conseguirá comprar produtos a valores bem mais baixos por conta do tamanho da empresa, que já conta com o Ponto Frio.  Nesse caso, o consumidor pode sair bastante prejudicado, avalia a coordenadora da Pro Teste, Maria Inês Dolci.

 

"A partir do momento em que essas empresas se unem, fica claro que elas conseguirão um preço melhor com o fornecedor, o que quase sempre não significa que o consumidor será beneficiado do mesmo modo. Defendemos a livre concorrência no mercado, e não existe garantia de que o consumidor pode ter preços melhores daqui para frente", diz.



 
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