A fabricante de computadores Positivo contabilizou um prejuízo líquido contábil de R$ 87,9 milhões no segundo trimestre, ante um lucro de R$ 27,0 milhões no mesmo período de 2010. O resultado inclui despesas não recorrentes de R$ 51,9 milhões para ampliar a provisão para perdas com inventários, e de R$ 42,8 milhões relativos à baixa de estoques em poder de terceiros e de peças usadas sem valor de recuperação.
Segundo a empresa, essas despesas são consequência da revisão de sua estrutura de pós-vendas. Nesse processo, iniciado no final de 2010, a Positivo reestruturou sua rede de prestadoras de serviço de assistência técnica, modificou a forma de comercialização de equipamentos recebidos em devoluções ou trocas, aprimorou critérios de provisionamento para obsolescência do inventário e fortaleceu seus controles de entrada e saída de estoque de pós-venda. A Positivo afirmou que ambos os valores não representam efeito caixa para o período. Desta forma, descontando esses efeitos não recorrentes e considerando a subvenção para investimento contabilizada como receita diferida (R$ 5,1 milhões) e a amortização de receita diferida (R$ 2,4 milhões), o lucro ajustado da companhia seria de R$ 9,5 milhões no segundo trimestre, 68,6% inferior ao lucro ajustado de R$ 30,2 milhões de igual trimestre de 2010.
A receita líquida (ajustada pelos mesmos fatores) caiu 6,8%, para R$ 551,0 milhões. A Positivo vendeu 520,6 mil computadores no segundo trimestre, volume recorde para o período, com alta de 8,6% sobre o mesmo trimestre do ano passado e aumento de 33,3% na comparação com o primeiro trimestre. No acumulado do ano, no entanto, as vendas totalizam 911 mil unidades, apenas 0,7% acima do primeiro semestre de 2010. Segundo a empresa, as vendas no trimestre foram impulsionadas pelo segmento de varejo, que registrou alta de 28,2%, com 429,2 mil computadores, compensando a queda de 46,0% nas vendas para o governo, cujas entregas previstas para este ano apresentam maior concentração ao longo do segundo semestre.
A participação dos notebooks no mix total de vendas aumentou de 37,1% há um ano para 47,4% ao final do segundo trimestre em função dos maiores volumes destinados ao varejo. O preço médio em reais dos desktops caiu 5,9% em relação ao segundo trimestre de 2010 e 4,2% sobre o primeiro trimestre deste ano devido à maior proporção de vendas no varejo, mercado em que os preços praticados são inferiores aos dos mercados de governo e corporativo. Já os notebooks tiveram queda de 23,3% no preço em reais na comparação anual de alta de 2,5% sobre o trimestre anterior.
A geração de caixa medida pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou negativa em R$ 79,2 milhões, ante um Ebitda positivo de R$ 54,8 milhões um ano antes. O Ebitda ajustado foi positivo em R$ 15,5 milhões, queda de 71,4% sobre os R$ 54,0 milhões apurados no segundo trimestre de 2010. A Positivo investiu R$ 12,0 milhões ao longo do trimestre, sendo boa parte dos recursos direcionada para atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da divisão de Tecnologia Educacional.
A empresa também destinou recursos ao centro de Convergência Digital, que está atuando no desenvolvimento de tablets, com previsão de lançamento para o segundo semestre deste ano. Para 2011, a estimativa é que os investimentos da companhia totalizem R$ 50,5 milhões. A Positivo encerrou o trimestre com dívida líquida de R$ 166,2 milhões, inferior aos R$ 209,7 milhões registrados em março e aos R$ 178,1 milhões de junho de 2010.
Fonte: Valor