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30/11/2009 - 14h08

Sharp aposta em nova fábrica para reduzir custos televisores de LCD

O novo complexo industrial da Sharp Corp. no oeste do Japão é gigantesco em qualquer medida: custou US$ 11 bilhões.
Daisuke Wakabayashi

The Wall Street Journal, de Osaka

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

O novo complexo industrial da Sharp Corp. no oeste do Japão é gigantesco em qualquer medida: custou US$ 11 bilhões e ocupa 1,27 milhão de metros quadrados. Mas seu significado é tão gigante quanto o tamanho real. A nova fábrica também representa a prova de fogo para a manufatura japonesa de alta tecnologia.

 

A fábrica, considerada a mais cara já construída no Japão, começou a produzir telas de cristal líquido, ou LCD, no mês passado, e os novos televisores da Sharp, que usam uma tecnologia de LCD que economiza mais energia, estarão à venda nos Estados Unidos no mês que vem. A Sharp antecipou em seis meses a abertura da nova fábrica, argumentando que ela a ajudará a ser mais competitiva.

 

"Quando você tenta imaginar os próximos 10 ou 20 anos, o modelo industrial atual não tem um futuro", disse o diretor da Sharp Toshihige Hamano, que está a cargo da fábrica em Sakai, em entrevista ao Wall Street Journal. "Tivemos de mudar o próprio conceito de como administrar uma fábrica."

 

Localizado na cidade de Sakai, na costa da Província de Osaka, o complexo representa a maior aposta da indústria japonesa até agora para manter a sua competitividade em telas de LCD em relação às concorrentes de caixa abarrotado na Coreia do Sul, fabricante taiwaneses com poucas despesas gerais e a presença constante na China como uma força no campo da fabricação de eletrônicos.

 

O tamanho impressionante da fábrica advém de dois fatores principais. Um é o tamanho do vidro usado para fazer as telas de LCD. A Sharp está usando a "10a geração" da indústria, placas de vidro tão grandes que permitem à empresa produzir 18 telas de 40 polegadas com uma única placa de vidro - mais que o dobro das oito telas de 40 polegadas por placa que a concorrência ainda usa. Outro fator é que a Sharp decidiu cortar custos transferindo seus fornecedores para o próprio local. Inicialmente, a fábrica vai empregar 2.000 pessoas - cerca de metade da Sharp e o resto dos fornecedores - mais a equipe completa pode chegar a 5.000 quando a fábrica começar a produzir painéis solares.

 

Ainda não se sabe se faz sentido para a Sharp continuar buscando uma produção cada vez mais sofisticada no Japão, ou como tem feito os concorrentes, simplesmente usar as mesmas técnicas de produção a custos menores em lugares como a China. O analista da corretora CLSA Atul Goyal alertou num relatório no mês passado que a empresa está cometendo o erro de "correr atrás da tecnologia" com uma nova fábrica. No passado, esforços como esses de fabricantes japoneses de eletrônicos resultaram em despesas de capital altamente elevadas - e depois os fabricantes foram confrontados pelo apetite limitado por tecnologia de ponta, e acabaram sendo ultrapassados por alternativas mais baratas a seus produtos.

 

Até mesmo Hamano, da Sharp, reconhece que a empresa só deu a autorização final para a fábrica durante o período de boom na demanda por telas de LCD - e que tomaria uma decisão diferente no mercado atual. A concorrente Samsung Electronics Co. já informou que estuda construir uma nova fábrica de LCD com placas de vidro ainda maiores que as da Sharp, enquanto a LG Display Co. já afirmou que planeja construir uma nova fábrica na China com o atual padrão de placa de vidro da indústria.

 

A Sharp anunciou o projeto Sakai dois anos atrás quando a demanda por LCD estava crescendo. Quando o consumo caiu em fins de 2008, a Sharp não cortou custos nem limitou a produção em tempo. Sob enormes excessos de estoque, a Sharp divulgou seu primeiro prejuízo anual em quase 60 anos no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2009.

 

A experiência ensinou à Sharp uma lição de que sua cadeia de suprimento precisava ser mais enxuta e sua produção, mais eficiente. Isso especialmente se a fábrica fosse no Japão, onde a alta do iene e a cara mão-de-obra punha a companhia em desvantagem em relação a seus concorrentes asiáticos.  A Sharp pretende enxugar a custosa produção de telas de cristal líquido mudando 17 fornecedores e prestadores de serviços externos para dentro da fábrica, para trabalhar como "uma companhia virtual". No passado, a Sharp mantinha os fornecedores não muito longe da fábrica. Agora eles estão todos dentro das mesmas instalações. As remessas não são enviadas em caminhões vindos de uma fábrica próxima, mas em tróleis automatizados que se movimentam entre um galpão e outro.

 

Os fornecedores, entre eles a Asahi Glass Co. e a Dai Nippon Printing Co., construíram suas próprias instalações com seu próprio dinheiro e estão alugando o terreno da Sharp. Apesar da localização deles dentro da fábrica, a Shap afirma que seus fornecedores são autorizados a vender para outras companhias.  Em Sakai, a Sharp também conectou seus sistemas de computadores com os fornecedores a fim de que alertas de pedidos cheguem imediatamente a eles. No passado, a Sharp mandaria email ou telefonaria para os fornecedores para fazer pedidos, criando um atraso maior.

 

A Sharp não diz quanto economizou, se é que economizou algo, com a fabricação de telas de LCD em Sakai, mas analistas estimam que esteja entre 5% e 10%.  A Corning Inc., maior fabricante de placas de vidro para telas de LCD, construiu uma fábrica ao lado da unidade da Sharp em Sakai. A Corning afirma que isso reduziu o tempo total do ciclo de pedidos de uma média de uma a duas semanas para uma questão de horas. Também segundo a Corning, a proximidade reduziu o risco de danos no transporte de enormes folhas de vidro.

 

A Corning disse que a princípio temia que fazer a fábrica no local implicaria que estava "anexando seu vagão" à Sharp. No final, a Corning decidiu ir adiante com base em sua confiança nos planos da Sharp em Sakai. "Não há nada como isso em lugar nenhum", disse James Clapping, diretor superintendente da Corning Display Technologies.



 
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