Pesquisa da Fecomercio aponta retração do preço das carnes nos açougues e supermercados devido à elevação da oferta no mercado interno. Outros alimentos e os combustíveis também ficaram mais baratos. Fazer churrasco está ficando cada vez mais barato. Segundo o Índice de Preços no Varejo (IPV), apurado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), o preço das carnes compradas em Açougue está caindo há seis meses, sendo que somente na comparação entre maio e junho houve recuo de, em média, 2,9%. Em 2011, o setor acumula retração de 9,49%.
Na comparação com o mês anterior, as carnes bovinas ficaram 1,59% mais baratas e as suínas, 2,83%. O preço das carnes de aves, no entanto, foram as que apresentaram a maior variação, 9,49%. Para quem prefere ir ao Supermercado comprar carne, as notícias também são animadoras. Os preços das carnes de aves recuaram 8,66%. Já o das carnes bovinas e suínas tiveram queda de 10,1 e 0,38%, respectivamente. Para quem gosta de comer um peixe na brasa, a notícia também é boa. Os pescados ficaram 1,59% mais baratos em junho.
De acordo com a Assessoria Técnica da Fecomercio, o que aumentou a oferta do produto no mercado interno, foi a queda no preço das carnes, tanto nos açougues quanto nos supermercados, em grande parte com as restrições sanitárias que alguns mercados, como Rússia e África do Sul, têm mantido em relação à carne brasileira. Mas não é só comprar carne que ficou mais barato. O IPV anotou queda de 0,34% na comparação com o mês anterior, o que reduziu o acumulado do ano para 6,77%. Outro fator que pesou no resultado do índice em junho foi a queda no preço de diversos produtos vendidos nas Feiras e Supermercados.
Fazer compras nas inúmeras Feiras de São Paulo ficou, em média, 2,39% mais barato. Foi a quarta queda consecutiva dos preços do setor, mas, apesar do resultado, o segmento ainda acumula alta de 4,50% em 2011, e de 8,23% nos últimos 12 meses. Segundo a Assessoria Técnica da Fecomercio, a queda é consequência de um realinhamento de preços motivado, justamente, pelas consecutivas altas no último semestre de 2010 e primeiro bimestre de 2011. Em junho, o preço das verduras foi o que anotou a maior variação, recuando 7,28% em relação a maio. As frutas, tubérculos e ovos ficaram, respectivamente, 3,32%, 3,05% e 2,15% mais baratos.
Para quem prefere ir aos Supermercados, as notícias também são positivas. Apesar de o setor ter apresentado uma retração mais modesta, somente, 0,4% em relação a maio, alguns produtos tiveram uma variação ainda mais expressiva do que nas feiras. É o caso das frutas e tubérculos, que recuaram 8,15% e 6,58%, respectivamente. O preço das verduras caiu 1,40% e o dos ovos, 0,60%. As retrações notadas nos preços desses produtos, entretanto, não devem se repetir nos próximos meses, já que chegamos ao período de entressafra e as baixas temperaturas do inverno, bem como a seca natural deste período, prejudicam as plantações.
Além de ter sido um mês propício para a compra de alimentos, junho foi um bom momento para comprar equipamentos para casa. De acordo com o IPV, os preços de Eletrodomésticos e de Eletroeletrônicos caíram, respectivamente, 0,30% e 0,36% na comparação com o mês anterior. O setor de Eletrodomésticos registrou a quarta queda consecutiva, acumulando retração de 1,82% em 2011 e de 3,49% nos últimos 12 meses. Os produtos que mais influenciaram o resultado do grupo foram os de linha branca, que já vem de uma sequência de cinco retrações consecutivas e, em junho, ficaram 0,36% mais baratos. Os preços de eletroportáteis e de utensílios de utilidade doméstica caíram 0,47% e 0,14%, respectivamente.
Já o segmento de Eletroeletrônicos apresentou, em junho, a 20ª queda consecutiva, acumulando retração de 3,56% em 2011 e de 9,67% nos últimos 12 meses. No segmento, os preços dos produtos de telefonia são os que tem registrado maior barateamento, sendo que nos últimos três meses apresentou recuos de, 1,85%, 1,07% e 1,01%. Produtos de imagem e som ficaram 0,26% mais baratos e os de informática, 0,29%. O preço de Móveis e Decoração também apresentou variação negativa em junho, ficando, em média, 0,23% menor que no mês anterior. O segmento, entretanto, ainda apresenta alta de 2,61% em 2011 e de 6,30% nos últimos 12 meses. Outra notícia positiva foi a variação detectada pelo IPV no setor de Combustíveis e Lubrificantes que, após 11 meses consecutivos de aumento, apresentaram retração de 4,60% na comparação entre maio e junho. Mas, apesar do resultado, o setor ainda acumula alta de 6,77% em 2011, e de 12,36% nos últimos 12 meses.
A Assessoria Técnica da Fecomercio afirma que o recuo se deve ao início da safra de cana-de-açúcar e de sua moagem. A variação do preço do Álcool Combustível foi o principal determinante para esse resultado, com diminuição de 10,38% em relação a maio. Além do Etanol usado como combustível, o Álcool hidratado (Anidro) também ficou mais barato, impactando no preço da gasolina que recuou 3,98%. Com o início da moagem da cana, a tendência é que novas retrações sejam notadas nos preços dos combustíveis. Os lubrificantes e óleos para veículos automotores ficaram, em média, 0,35% mais baratos em junho.
Por fim, o mês dos namorados também foi marcado por um impulso no comércio, especialmente no setor de Vestuário, Tecidos e Calçados. Peças que foram muito procuradas para presentear no 12 de junho. Com o aumento da procura, o setor registrou aumento de preços de, em média, 1,18%. O segmento acumula alta de 2,95% em 2011 e, nos últimos 12 meses, de 4,49%. De acordo com o IPV, os calçados e acessórios foram as peças que registraram maior elevação, ficando 2,11% mais caros. O preço das roupas femininas teve elevação de 1,18% enquanto o das masculinas subiu 0,80%. Já as roupas infantis registaram uma variação de somente 0,20%. Um incremento que se deve, em grande parte, à mudança da estação e das coleções nas vitrines das lojas. O frio também motivou a alta nos preços de artigos de cama, mesa e banho, que, em junho, ficaram 1,36% mais caros.
A Assessoria Técnica da Fecomercio ainda pondera que as oscilações no preço do algodão, por conta do baixo estoque e da fraca oferta do produto no mercado mundial, devem impulsionar os preços desses produtos nos próximos meses.