A construção administrada pelo próprio dono do imóvel é responsável pela maior parte do consumo de material de construção no Brasil. São obras que incluem desde a troca de azulejos até a execução do chamado ''puxadinho" nas periferias do País. A Engemix, empresa voltada à produção de concretos da Votorantim Cimentos, identificou nesses consumidores, em especial os de baixa renda, uma oportunidade de negócio. Há um ano a empresa criou em São Paulo a marca CasaMix e agora expande o projeto para todo o território nacional.
Não fosse pela complexidade do produto, o conceito poderia ser comparado ao prosaico delivery de pizza. Mas no caso do concreto, apesar da simplicidade da mistura do cimento, da brita e da areia, qualquer erro pode resultar em desperdício ou, pior, em defeitos na obra.
Além da pontualidade no delivery do concreto, os administradores do Casamix investiram no treinamento do pessoal de atendimento para que possam orientar o cliente sobre as características do produto, de acordo com o uso. Também compraram betoneiras para atender exclusivamente a entrega de concreto para o usuário final. Antes, no início do CasaMix, as entregas eram feitas nos intervalos entre uma carga e outra para grandes prédios em obras.
A inspiração, conta Álvaro Luís Veloso, diretor do Negócio Concreto da Votorantim Cimentos, veio das pequenas empresas de concreto que já ofereciam este tipo de serviço. "Era uma oportunidade de agregar valor aos novos clientes", diz. Tomada a decisão de transformar o delivery em um negócio, faltava vencer outro desafio: como ultrapassar a barreira da falta de informação. "As pessoas olham uma betoneira e perguntam ''como vou pagar por um negócio desses?'' Temos investido em anúncios em rádios comunitárias e jornais de bairro para explicar que o preço não é alto como se imagina, que há economia e que é possível financiar em até 24 meses", conta Veloso.