O varejo registrou 1,01% de inflação em abril, de acordo com o Índice de Preços no Varejo (IPV) da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio). Este é o oitavo aumento consecutivo do indicador, fazendo com que o IPV atinja variação acumulada de 1,82% em 2011 e de 5,24% em 12 meses. Dos 21 segmentos avaliados, sete acusaram queda em suas variações, contribuindo para que o IPV não se elevasse mais ainda. O resultado de abril é o maior desde outubro de 2010, quando a variação foi de 1,18%.
A atividade do setor de Combustíveis e Lubrificantes, como já esperado, ficou responsável por pouco mais de 58% da alta registrada em abril - em março o segmento havia sido responsável por aproximadamente 70% da alta do IPV. Em 2011 a moagem da cana foi mais uma vez prejudicada pelo excesso de chuvas, não permitindo um equilíbrio adequado entre oferta e demanda por combustíveis (etanol). Segundo o IPV, o setor registrou alta de 6,80% em abril e acumulou aumento de 10,78% no ano. Tanto o Álcool (10,36%), como a Gasolina (6,61%) foram fortemente impactados pelas condições climáticas pouco favoráveis. A alteração da composição da gasolina - que passa a ter uma margem menor de álcool (de 18% a 25%) - deve contribuir para o processo de realinhamento de preços. A partir de maio esses recuos podem ser mais evidentes já que a cana pode, finalmente, ser moída, voltando a abastecer os estoques do combustível.
Com a incidência de geadas, baixas temperaturas, chuvas em algumas regiões produtoras e a proximidade da entressafra do boi, os preços dos alimentos voltaram a pressionar o setor de Supermercados. O segmento fechou abril com alta de 0,79% ante os 0,10% de março. As variações mais significativas foram percebidas em Tubérculos (17,07%), Ovos (6,44%), Leites (4,03%), Derivados da Carne (1,94%) e Bebidas não Alcóolicas (1,84%).
A atividade de Drogarias e Perfumarias registrou preços 2,94% superiores no comparativo com março. Como o reajuste da categoria estava previsto para 31 de março, o comportamento era esperado. O IPV no item Drogaria subiu 3,45%, enquanto nas Perfumarias finalizou abril com variação positiva de 0,68%. Os medicamentos devem sofrer alguma pressão por conta da queda das temperaturas e em decorrência da maior incidência de doenças respiratórias, fenômeno já tradicional em todo inverno. No primeiro quadrimestre de 2011 as Drogarias e Perfumarias acumulam 3,45%.
O segmento de Vestuário, Tecidos e Calçados apontou alta de 0,74% em abril, frente aos 0,09% verificados em março. Com a chegada das temperaturas mais amenas e a entrada da coleção outono inverno no varejo (normalmente dotada de maior valor agregado) é natural que os preços sejam pressionados. Tecidos elevaram-se em 1,42%, Roupa Masculina 0,96%, Roupa Infantil 0,80%, Artigos de Cama, Mesa e Banho 0,62% e Roupa Feminina 0,55%. Em 2011 os artigos de Vestuário, Tecidos e Calçados acumulam 0,71% de elevação.
Outros setores que acusaram preços mais elevados em abril: Padarias (0,75%), Material de Construção (0,38%), Brinquedos (0,80%), Relojoarias (0,74%), Floriculturas (2,45%), Óticas (0,38%), CDs (0,16%), Material de Escritório e Outros (0,16%), Livraria (0,08%) e Jornais e Revistas (0,08%). Por outro lado, o setor de Eletrodomésticos finalizou abril com queda de 1,71%. Em março a atividade havia recuado 0,04%. Os subgrupos que contribuíram para este comportamento foram: Linha Branca (-2,96%) e Eletroportáteis (-1,65%). De acordo com a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista da Região Metropolitana de São Paulo (PCCV), também calculado pela Fecomercio, as vendas do setor descreveram um acentuado desaquecimento em março (-25,7% na comparação interanual) e, além disso a paridade cambial favorece a importação mais barata e o grau de obsolescência é cada vez maior no setor. É natural que os preços sejam pressionados para baixo.
Móveis e Decorações após 11 elevações consecutivas, apontou queda de 0,73% em abril. No ano a atividade acumula aumento de 2,17%. O comportamento pode ser atribuído a um realinhamento de preços, aliado ao arrefecimento das vendas do setor de habitação, já que são complementares.
As proteínas animais comercializadas em Açougues já completam quatro meses de variações negativas e em abril o recuo notado foi de 1,45%. O segmento acumula -6,40% em 2011 e alta de 23,54% no acumulado em 12 meses. O preço das carnes está em processo de realinhamento, tendo em vista as fortes e consecutivas pressões verificadas no ano passado ocasionadas pela escassez de oferta no mercado interno. Carnes Bovinas acusaram queda de 1,56% e Aves, -1,52%.
Outros grupos que contribuíram para que o IPV não se elevasse mais em abril: Feiras (-0,67%), Eletroeletrônicos e outros (-0,60%), Veículos (-0,12%) e Autopeças e Acessórios (-1,36%).
NOTA METODOLÓGICA
Os dados são coletados junto a cerca de 2.000 estabelecimentos comerciais no município de São Paulo, contemplando 21 segmentos varejistas e 450 subitens pesquisados. A pesquisa conta com uma amostra mensal de aproximadamente 105 mil tomadas de preços.