Em uma palestra conciliadora em Shangai, na China, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi questionado por um estudante local: "o Twitter deve ser usado livremente pelos chineses?". A resposta de Obama ao jovem, que estava conectado pela internet, começou com um ar inseguro, segundo relato do New York Times. "Bem, em primeiro lugar, deixe-me dizer que nunca usei o Twitter", disse.
Depois, o presidente, dono de uma conta verificada no Twitter com mais de 2,6 milhões de seguidores, justificou que não atualizava seu perfil porque seus "dedos são muitos desajeitados para digitar coisas sobre o telefone". Ao prosseguir, Barack Obama declarou que às vezes gostaria que as informações não fluíssem tão livremente no seu país, porque, deste modo, não teria que ‘ouvir' as pessoas lhe criticando o tempo todo.
Mas, por outro lado, afirmou que o fato de ter que ‘ouvir' opiniões que não o agradam torna a democracia mais forte e faz dele um líder melhor. Este episódio, narrado pela imprensa mundial, foi marcante por dois acontecimentos. O primeiro deles é a pergunta do estudante chinês, que ousou questionar, ainda que polidamente, a barreira e o controle das informações na internet do seu país.
O segundo é a resposta de Obama, admitindo que nunca atualizou seu perfil no Twitter, o que, na época da corrida eleitoral, foi tido como um dos pilares do sucesso de sua campanha virtual. É corriqueiro no Brasil alguns políticos aderirem ao Twitter para seguir o exemplo de Obama. A partir de agora, todos saberão que quem atualiza a página não é (e nunca foi) o próprio político, e sim, sua equipe de comunicação.