Pesquisa da Fecomercio aponta que apesar do faturamento expressivo, resultado é 7,3% inferior ao do mesmo período de 2010. O comércio varejista da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) registrou faturamento de R$ 8,5 bilhões em março, segundo a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (e-PCCV), que é realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) em parceria com a e-Bit. O faturamento do mês é 4,9% superior ao registrado em fevereiro, mas é R$ 660 milhões, ou 7,3%, inferior ao resultado alcançado no mesmo período do ano anterior. Com isso, o primeiro trimestre de 2011 registrou crescimento real de somente 1,5%, 3,5 pontos porcentual a menos do que era esperado.
A assessoria técnica da Fecomercio destaca que, diferente do que aconteceu nos últimos meses, quando todos os setores do comércio tiveram crescimento, o segmento de Comércio Eletrônico foi o único que registrou elevação do faturamento na comparação com março de 2010, 13,8%. Entre as quedas, a mais expressiva foi a do setor de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos, com faturamento 27,5% inferior ao do mesmo período do ano anterior.
Um dos fatores que influenciou o resultado da e-PCCV em março foi o Carnaval, que além de reduzir a quantidade de dias úteis e, consequentemente, o comércio, é uma data em que, tradicionalmente, muitas famílias viajam, ampliando o consumo em outros locais que não na RMSP. Contudo, o principal motivo para o resultado negativo é a base de comparação. Março de 2010 foi o último mês para comprar bens duráveis com os estímulos fiscais oferecidos pelo governo para combater a crise de 2009 e, com isso, houve um crescimento de 11,3% no nível de vendas. Um resultado atípico que fez com que março registrasse o segundo melhor resultado daquele ano, ficando atrás somente de dezembro. Resultado que normalmente é obtido pelo mês de maio.
Outro ponto a ser considerado é o inicio dos efeitos das ações de controle de crédito tomadas pelo Banco Central (BC) desde o fim de 2010. Em março, os juros permaneceram em patamares elevados e os prazos para financiamento encurtaram. Adicionalmente, houve um retração no número de famílias endividadas em São Paulo, o que indica que parte dos empréstimos tomados foi utilizada para o pagamento de outras dividas e não para o consumo.
Embora esses fatos expliquem a queda registrada pela e-PCCV este mês, a assessoria técnica da Fecomercio afirma que não é possível afirmar se a desaceleração no nível de consumo foi um fato isolado o a antecipação de um movimento que só era esperado para o segundo semestre deste ano.
