Um estudo divulgado nesta quarta-feira, 4 de maio, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta que 65% da população das capitais usa transporte público para se deslocar. Esse percentual cai para 36% nas cidades que não são capitais. Desse total, cerca de 55% estão insatisfeitos e consideram o serviço "ruim", "muito ruim" ou "regular".
Os dados constam no Estudo Sobre Mobilidade Urbana, que integra a série Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A partir deste e de outros estudos, o órgão poderá propor medidas mais adequadas para cada tipo de região, além de deixar a população mais esclarecida sobre os serviços e as possibilidades de transporte que são oferecidos.
Segundo o documento, apenas 2,85% da população residente em capitais se locomove a pé no dia a dia. Já nas outras cidades, esse percentual sobe para 16,63%. A bicicleta é o meio de transporte de 3,22% das pessoas que vivem nas capitais. Nas outras cidades, esse percentual é de 8,45%. A moto é usada por 5,5% da população que vive nas capitais e por 15% nas demais cidades. Em todos os municípios brasileiros, 23% da população adotam o carro como meio de transporte.
Alternativas à centralização
O estudo sugere, entre outros pontos, que o governo aplique ações nas grandes cidades, de modo que as pessoas sejam motivadas a deixarem o carro na garagem e usar o transporte público. Em pequenas cidades, uma alternativa é estimular o uso de bicicletas ou o hábito de andar a pé quando a locomoção for por pequenas distâncias. Uma das conclusões à que chegou o Ipea é a tendência de se alcançar melhores resultados a partir de investimentos em corredores de ônibus e metrôs, aliados a políticas tarifárias que permitam ampliar o número de usuários de transporte público.
O instituto enfatiza que, nesse cenário, deva ser estimulada a redução do tempo de viagem. "A rapidez, a disponibilidade e o menor custo foram características recorrentemente citadas de forma explícita pelos entrevistados", afirma o estudo. Segundo ele, a diferença de percepção da segurança entre os usuários de automóveis e os de transporte público pode revelar importantes aspectos para a atuação pública. A pesquisa perguntou que motivo faria os não usuários de transporte público a passar a fazer uso dele. A maior rapidez do transporte público foi a resposta mais apresentada pelos usuários de bicicleta, carro e moto. Para quem se locomove a pé, a resposta está ligada à questão da disponibilidade desse tipo de meio de transporte.
Motivos alegados
Os motivos mais indicados pelos pedestres para terem optado por andar a pé são a saúde e a rapidez. No entanto, eles afirmam predominantemente que passariam a usar o transporte público caso houvesse maior disponibilidade, fosse mais barato e também mais rápido. Para o pedestre, estas duas últimas características são necessárias para se ter um bom transporte. Os ciclistas escolhem essa forma de transporte pelos mesmos motivos apresentados pelos pedestres: saúde e rapidez. Mas também ressaltam, como motivo, o baixo custo.
No uso do transporte individual motorizado (carro e moto), quem utiliza o primeiro ressalta o motivo do conforto e a comodidade, enquanto os que optam pela moto justificam sua escolha devido ao preço. Mas ambos consideram a rapidez como o fator de maior importância. A população, de acordo com o documento, precisa ser esclarecida quanto às características de cada modo de transporte em suas respectivas cidades. Além de ter direito à escolha do meio de transporte que quiser utilizar, "a população tem que ter acesso à informação para poder realizar esta escolha dentro dos critérios que considerar mais relevantes". A pesquisa sobre mobilidade urbana foi feita a partir de entrevistas domiciliares feitas entre os dias 4 e 20 de agosto de 2010. Abrange 146 municípios e um total de 2.786 questionários válidos com 30 questões. Participaram apenas pessoas maiores de 18 anos.
- Conheça o Estudo sobre Mobilidade Urbana na íntegra (em PDF) -