Criado pelo jornalista e empresário Sergio Motta Mello há 25 anos, o grupo Grupo TV1 realiza nesta terça-feira (3), no Jockey Clube de São Paulo, festa comemorativa que coincide com o lançamento da terceira edição do projeto Agenda do Futuro, lançada em 2008 e que já contou com as participações de Don Schultz, da Kellog School of Management, um dos precursores dos modelos integração, e Biz Stone, do Twitter.

Desta vez a atração é o canadense Don Tapscott, autor de 13 livros, um dos papas da revolução digital e criador do conceito wikinomics, neologismo que define, na sua própria expressão, "mais que um programa que permite que múltiplas pessoas editem sites, uma metáfora para uma nova era de colaboração e participação". Ou "colaboração de massa e negócios 2.0 que representam o futuro para inovações e crescimento".
"Faz todo sentido para nós integrar a celebração do nosso ano 25 com esse evento Agenda do Futuro, já que a inquietude em relação ao novo sempre foi um diferencial importante para nossa evolução e hoje é parte da nossa cultura. Queremos comemorar com foco neste momento especial da comunicação, que nos impulsiona e abre todo um horizonte de oportunidades", justificou Motta Mello que vai apresentar a pesquisa Agenda do Futuro, realizada com o Caepm (Centro de Altos Estudos e Pesquisas de Mercado) da Escola Superior de Propaganda e Marketing, "sobre como as empresas brasileiras estão incorporando em suas estratégias as novas dimensões da comunicação e do marketing". Participaram da pesquisa quantitativa diretores de marketing e comunicação de 125 empresas brasileiras de grande porte, todas com mais de mil funcionários. Na pesquisa qualitativa, foram entrevistados 17 executivos.
Tapscott é presidente da Moxie Insight, empresa "que dirige pesquisas e programas educacionais", e professor-adjunto de negócios na Joseph L. Rotman School of Management, da Universidade de Toronto. É estudioso da forma "como as empresas devem se relacionar com a nova geração digital". Em recente entrevista às páginas amarelas da revista Veja ele respondeu sobre o papel das mídias sociais nos dias de hoje:
"O que está acontecendo no mundo de hoje é semelhante ao que se passou com a sociedade agrária depois da prensa móvel de Gutenberg. Antes, o conhecimento estava concentrado em oligopólios. A invenção de Gutenberg começou a democratizar o conhecimento, e as instituições do feudalismo entraram num processo de atrofia. A novidade afetou a Igreja Católica, as monarquias, os poderes coloniais e, com o passar do tempo, resultou nas revoluções na América Latina, nos Estados Unidos, na França. Resultou na democracia parlamentar, na reforma protestante, na criação das universidades, do próprio capitalismo. Martinho Lutero chamou a prensa móvel de "a mais alta graça de Deus". Agora, mais uma vez, o gênio da tecnologia saiu da garrafa.
Com a prensa móvel, ganhamos acesso à palavra escrita. Com a internet, cada um de nós pode ser seu próprio editor. A imprensa nos deu acesso ao conhecimento que já havia sido produzido e estava registrado. A internet nos dá acesso ao conhecimento contido no cérebro de outras pessoas em qualquer parte do mundo. Isso é uma revolução. E, tal como aconteceu no passado, está fazendo com que nossas instituições se tornem obsoletas. Os exemplos estão por toda parte. As instituições globais não conseguem resolver a crise da dívida na Europa. Os jornais estão entrando em declínio. As universidades estão perdendo o monopólio da educação superior. São instituições da era industrial, que estão finalmente chegando ao fim".