No fim da década de 90, analistas do mercado automotivo e financeiro apostavam que a montadora norte-americana Ford deixaria o País, tão intensa era a crise enfrentada pela empresa. Passado alguns anos, a marca conseguiu se recuperar, construiu uma nova fábrica na Bahia e lançou veículos de sucesso, como o EcoSport. Este mês, ao completar 90 anos de Brasil, a montadora reporta um crescimento de 20% nas vendas no primeiro quadrimestre, num mercado total que praticamente repetiu os números do ano passado em igual período.
O presidente da Ford Brasil e Mercosul, Marcos de Oliveira, afirma que o modelo de reestruturação adotado pela subsidiária, que cortou custos mas não poupou investimentos, foi adaptado pela matriz nos Estados Unidos, hoje a única entre as três maiores fabricantes do país que não está à beira de trocar de comando acionário e nem depende de ajuda governamental para se manter. "Acho que a Ford norte-americana vai sair dessa crise internacional mais fortalecida como empresa, embora menor", diz Oliveira. A Ford se desfez das marcas Land Rover, Jaguar e Aston Martin e ainda estuda a venda da Volvo Car. A América do Sul, onde o Brasil responde por mais de 60% das vendas, também deu uma força à recuperação da matriz com envio de dividendos. A região completou neste início de ano 21 trimestres seguidos de lucro.
Embora o ganho tenha diminuído sensivelmente em relação ao ano passado - o lucro no primeiro trimestre foi de apenas US$ 63 milhões ante US$ 257 milhões em 2008 -, Oliveira ressalta que a América do Sul foi a única região a ter resultado positivo no período. "O valor menor é reflexo do aumento dos custos das commodities, principalmente do aço, e da desvalorização do real", justifica o executivo. No mesmo trimestre, a Ford como um todo teve prejuízo de US$ 1,4 bilhão.