
O cineasta americano Michael Moore é, sem dúvida, um sujeito bem-sucedido. Nascido numa família operária no estado de Michigan, Moore se tornou o documentarista mais popular da história do cinema. Ele descobriu seu filão há exatos 20 anos, quando filmou a decadência da fábrica da General Motors em sua cidade natal, Flint. Desde então, seguiu apostando em temas relacionados àquilo que considera os problemas da sociedade americana, da venda de armas ao sistema de saúde.
O cineasta, claro, não hesitou na hora de transformar a popularidade de sua temática social em dinheiro. Acabou multimilionário. Para fazer seu documentário de maior sucesso, Fahrenheit 9/11, Moore ganhou um adiantamento de 21 milhões de dólares. Seus livros também são um estouro -- um deles, Dude, Where´s My Country? ("Cara, cadê meu país?"), vendeu mais de 1 milhão de cópias. O menino de família operária que enriqueceu com o poder de suas ideias é um belo exemplo das possibilidades de enriquecer criadas pelo mundo do livre-mercado. Mas esse não é um rótulo aceito por Michael Moore. Muito pelo contrário, aliás. Recentemente, ele embarcou naquela que é sua mais nova missão: destruir o capitalismo e colocar outra coisa em seu lugar.
Seu novo documentário, Capitalism: A Love Story ("Capitalismo: uma história de amor"), é uma denúncia daquilo que Michael Moore considera um sistema desastroso. No filme, famílias americanas que perdem suas casas, a decadência da General Motors, o pacote de ajuda a Wall Street e a recessão dos últimos dois anos viram provas de que o capitalismo não funciona. Wall Street e Washington lideram uma conspiração para beneficiar os ricos e arrasar 99% da população. Sobra, claro, para o Goldman Sachs.
O banco de investimento presidido por Lloyd Blankfein é peça-chave dessa conspiração, liderada por ex-funcionários espalhados pelos órgãos do governo. No mundo de Moore, a busca pelo lucro coloca em risco a população americana. Afinal de contas, as empresas aéreas, em sua busca por dinheiro a qualquer custo, pagam salários de fome a seus pilotos, que são obrigados a trabalhar dobrado para sobreviver. Quando o avião cai, portanto, a culpa é de "tudo isso que está aí". Para tornar seus argumentos irrefutáveis, Moore chama dois padres e um bispo. O que acham do capitalismo? "Pecado", diz um. "Contrário às ideias de Jesus Cristo", afirma outro. Como se sabe, é mais fácil o corpulento Moore passar no buraco de uma agulha do que um homem de negócios subir ao reino dos céus. "O capitalismo é mau", resume o cineasta.