A medida antidumping da Câmara de Comércio Exterior (Camex) ante a importação de pneus chineses para automóveis, em vigor desde setembro, começa a impactar positivamente no mercado brasileiro. A retomada do mercado é estimada ente 10% e 20% pela Anip, a entidade representativa das fabricantes instaladas no Brasil, conforme matéria da edição desta sexta-feira (30/10) do jornal Brasil Econômico.
O jornal mostra que, entre 2003 e 2008, o uso de pneus chineses em carros brasileiros deu um salto de nada menos que 13.000%. O produto chegou a dominar 8,6% do mercado. Em 2008, foram importadas 1,4 mil toneladas de pneus para carros de passeio. "A concorrência chinesa é desleal. Nos últimos anos, o setor vem sofrendo os efeitos da entrada de pneus chineses com preços até 30% inferiores aos fabricados no Brasil", diz Alfonso Zendejas, vice-presidente comercial da Bridgestone.
Ao analisar as reclamações das fabricantes nacionais, a Camex concluiu que o preço dos pneus chineses estava abaixo dos custos de produção, ou seja, o objetivo seria simplesmente de "compra de mercado". Com a medida antidumping, cada quilo de pneu chinês que desembarca no Brasil deve pagar US$ 0,75 adicionais (cerca de R$ 1,30) - e isso vale para os próximos cinco anos.
Queda de 68% em caminhões
A ação antidumping sobre os pneus chineses começou mais cedo no segmento de caminhões e os resultados já são bem visíveis: a presença desse produto importado caiu 68% nos primeiros nove meses do ano, em comparação com período similar de 2008. O pneu chinês chegou a abocanhar 9,6% do mercado em 2008.
De janeiro para setembro, o volume mensal de pneus chineses no mercado brasileiro recuou de 800 mil para 230 mil unidades. Isso se deve à implementação da sobretaxa variável de US$ 1,12 (cerca de R$ 1,95) a US$ 2,59 (algo como R$ 4,50) por quilo importado.