A ordem da nova direção do Banco do Brasil é explícita: acelerar a concessão de crédito e, ao mesmo tempo, reduzir os spreads bancários. Spread é a diferença entre o custo pago pelo banco para captar recursos e o juro que ele cobra dos clientes. Para conseguir isso, o novo presidente da instituição, Aldemir Bendine, promete atacar em nichos específicos, como o crédito consignado e financiamento de veículos. Para isso, o banco pode "roubar" clientes de outras instituições para crescer no mercado.
Uma situação como a atual, de crise, gera oportunidades. Por isso, a gente enxerga a possibilidade de crescer e ganhar share (mercado). Para isso, podemos buscar clientes de outras instituições. A concorrência é assim, disse. Na disputa com os outros bancos, o BB quer "roubar" clientes com boa avaliação de crédito que precisem de crédito e que têm enfrentado dificuldade em tomar recursos nos concorrentes do BB. A diferença é que esses clientes não estão tendo assistência creditícia na concorrência.
Entre os nichos que Bendine quer atacar, o consignado, financiamento para a compra de veículos, crédito imobiliário, seguros e cartões de crédito encabeçam a lista de prioridades. Ganhar mercado é uma questão crucial para que o BB mantenha a rentabilidade, explicou o executivo durante café da manhã com a imprensa. Segundo ele, os spreads bancários devem cair com o tempo e essa redução da margem do banco deverá ser compensada pelo aumento das operações, como a carteira de crédito. O maior número de negócios e o aumento dos volumes de crédito vão compensar a queda dos spreads", disse.
Ações
A forte queda das ações do BB no início do mês após a indicação de Bendine para a presidência da instituição foi considerada uma "questão de interpretação" dos investidores, disse o próprio executivo. "A ação é uma investigação de longo prazo, é uma alternativa suscetível a interpretações. A queda de quase 10% ocorreu em linha com a precificação, uma especulação errônea", disse Bendine, ao comentar a perda de 8,15% das ações do banco em 8 de abril, dia em que o nome dele foi confirmado pelo Ministério da Fazenda para o cargo.
O presidente do banco argumenta que a avaliação dos investidores estava equivocada. O principal argumento é que, após algumas semanas, os papéis retornaram ao patamar registrado antes da indicação do novo presidente. Por volta das 12h30 de hoje, a ação ON do BB era negociada a R$ 18,23, com valorização de 5% na comparação com o fechamento do dia 8 de abril. Sobre uma eventual desconfiança dos investidores acerca da possibilidade de ingerência política no banco, Bendine disse que "a desconfiança é respondida com trabalho e resultados".
Capitalização
A necessidade de capitalização do Banco do Brasil é um tema "que está no radar" do novo presidente da instituição, mas que não ocupa lugar na lista de temas urgentes do executivo. "Isso está no nosso radar, mas vamos iniciar a discussão do tema com calma. Não é algo para esse momento", disse hoje, em café da manhã com jornalistas. Segundo ele, mesmo com a incorporação da Nossa Caixa e do Banco Votorantim, o BB "ainda tem conforto" para aumentar as operações de crédito.