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04/10/2010 - 17h25

Pãozinho francês está cada vez mais caro

Pesquisa revela que seca na Rússia afeta as padarias brasileiras. Por outro lado, notebooks e eletroeletrônicos ficam cada vez mais baratos
Thales Brandão

CidadeMarketing

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

 

Comprar um pãozinho na padaria está cada vez mais caro. Segundo o Índice de Preços no Varejo (IPV), aferido pela Federação do Comércio de Bens Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), o preço do pão francês e dos demais panificados subiu 0,38% em agosto, apresentando a 10° alta consecutiva.

 

Julia Ximenes, assessora econômica da Fecomercio, afirma que não é só o preço do pãozinho que está subindo. "Os produtos vendidos na padaria estão todos mais caros. No ano, o setor já acumula alta de 4,5%", aponta. "Além dos panificados, os preços de doces, bebidas, frios e laticínios estão maiores que nos meses anteriores."

 

A economista explica que o encarecimento do pãozinho se deve, principalmente, ao fato do Brasil não produzir trigo suficiente para suprir a demanda interna, tendo que importá-lo. "Além disso, a Rússia, principal exportador mundial de trigo, está passando por uma seca que fez o país suspender as vendas" conta. "Com a redução das vendas no cenário internacional, o preço do trigo tem subido e o Brasil tem destinado sua produção para este mercado, daí o aumento no preço do pão."

 

Se o setor de padarias já acumula 10 meses de elevação nos preços de seus produtos, o de eletroeletrônicos registra 10 meses de retração. De acordo com o IPV, o preço desses equipamentos caiu 0,76% na comparação entre agosto e julho, e, no ano, o setor já registra deflação de 9,46%.

 

Para a assessora econômica da Fecomercio, Julia Ximenes, a queda no preço desses produtos se deve, principalmente, a concorrência desleal com o comércio informal. "O comércio legal, sobrecarregado com os impostos, não tem como competir com os produtos vendidos irregularmente", aponta.

 

Entretanto, a economista destaca que este não é o único fator para a queda no preço dessas mercadorias. "A desvalorização do Dólar frente ao Real é outro ponto de impacto considerável para este segmento, já que o câmbio tem uma relação direta com o custo das importações", pondera Julia. "Além disso, a constante inovação tecnológica torna os equipamentos rapidamente ultrapassados, reduzindo o seu valor."

 

Entre os produtos eletroeletrônicos, aqueles que têm registrado as maiores quedas são os do setor de informática e telefonia, como os celulares e os aparelhos de telefone sem fio. Em comparação ao mês anterior, os preços médios desses produtos ficaram respectivamente 1,23% e 1,70% mais baratos. No mesmo período, os preços dos televisores e aparelhos de som caíram 0,34%.

 

Índice geral

No geral, o IPV permaneceu praticamente estável na comparação entre agosto e julho, registrando uma ligeira queda de 0,05%. Entretanto, no ano, os preços em São Paulo já acumulam alta de 1,57%.

 

Entre os 21 grupos analisados pelo indicador, oito tiveram retração nos preços médios de seus produtos: Eletroeletrônicos (-0,76%), Supermercados (-0,3%), Veículos (-0,78%), Feiras (-1,22%), Jornais e Revistas (-6,1%), Eletrodomésticos (-0,66%), Brinquedos (-0,24%) e Autopeças e Acessórios (-0,26%).

 

Por outro lado, os segmentos que apresentaram elevação nos preços médios de seus produtos foram: Óticas (0,14%), Drogarias e Perfumarias (0,07%), Material de Escritório (0,63%), Livraria (0,57%), Floriculturas (2,57%), Relojoarias (0,85%), CDs (0,87%), Material de Construção (0,47%), Padarias (0,39%), Móveis e Decorações (0,37%), Vestuários, Tecidos e Calçados (0,15%), Açougues (2,88%) e Combustíveis e Lubrificantes (0,89%).

 

Sobre a Fecomercio

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) é a principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços. Representa empresas e congrega 152 sindicatos patronais, que abrangem cerca de 700 mil companhias e respondem por 11% do PIB paulista - aproximadamente 4% do PIB brasileiro - gerando em torno de cinco milhões de empregos.



 
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