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26/12/2008 - 03h10

Exportações de milho e álcool frustram expectativas

Apostas do governo e da iniciativa privada, os embarques de milho e etanol ficarão abaixo do previsto para este ano.
FABÍOLA SALVADOR

Agência Estado

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

Apostas do governo e da iniciativa privada, os embarques de milho e etanol ficarão abaixo do previsto para este ano. O câmbio desfavorável às exportações na maior parte do ano, barreiras tarifárias e o retorno de tradicionais fornecedores ao mercado mundial impediram que as exportações atingissem o volume estimado inicialmente.

José Augusto de Castro, diretor-executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), explicou que o recuo dos preços do milho no mercado internacional prejudicou o desempenho exportador do Brasil, que vem tentando diversificar sua pauta de exportação agrícola. "Os preços caíram muito neste ano, quadro que foi agravado pelo câmbio", argumentou.

As exportações de milho somaram 293 mil toneladas em agosto, vendas que foram feitas pelo preço médio de US$ 266 por tonelada. Em novembro, foram embarcadas 775 mil toneladas de milho. A melhora da taxa de câmbio compensou o recuo dos preços internacionais, que caíram para US$ 202 por tonelada no mês passado. Apesar da recuperação no final do ano, os embarques recuaram 36,8% no acumulado do ano até novembro na comparação com igual período de 2007.

Até novembro, os embarques de milho somaram cinco milhões de toneladas. Para o ano, a expectativa era repetir o resultado de 2007 e exportar 11 milhões de toneladas de milho. "No ano passado, o Brasil aproveitou uma janela de oportunidade, mas não conseguiu mantê-la aberta", contou Matheus Zanella, assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). "Os americanos que deixaram de exportar milho para usar o grão na fabricação de etanol voltaram com força ao mercado", completou.

Sem ter para quem vender boa parte da produção nacional, o produtor que investiu no milho vai enfrentar tempos difíceis. O governo estima em 14 milhões de toneladas o estoque de milho, volume expressivo que vai derrubar os preços do grão no mercado interno, avaliou o presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, José Mário Schreiner.

Para Zanella, houve uma onde de "otimismo exagerado" no caso do álcool. "As exportações foram tratadas com grande otimismo, foi exagerado. Não havia e não há ainda mercado comprador para o produto", disse. No acumulado do ano até novembro, os embarques de álcool somaram 3,8 milhões de toneladas, abaixo da previsão de alguns analistas de vendas externas de 5 milhões de toneladas. "As vendas patinaram no começo do ano, mas se recuperaram no 2º semestre", lembrou.

Para ele, o principal problema é que o setor industrial brasileiro não está preparado para fornecer o produto "com sustentabilidade" que os compradores exigem. "A questão do meio ambiente é um dos grandes questionamentos ao combustível brasileiro, especialmente na Europa", afirmou. Augusto de Castro, da AEB, avalia ainda que o protecionismo de países compradores também compromete de forma negativa o desempenho do setor, quadro que pode mudar daqui para frente. "Agora, com preço e câmbio favoráveis, a tendência é de aumento das exportações", afirmou.



 
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