Apostas do governo e da iniciativa privada, os embarques de milho e
etanol ficarão abaixo do previsto para este ano. O câmbio desfavorável
às exportações na maior parte do ano, barreiras tarifárias e o retorno
de tradicionais fornecedores ao mercado mundial impediram que as
exportações atingissem o volume estimado inicialmente.
José
Augusto de Castro, diretor-executivo da Associação de Comércio Exterior
do Brasil (AEB), explicou que o recuo dos preços do milho no mercado
internacional prejudicou o desempenho exportador do Brasil, que vem
tentando diversificar sua pauta de exportação agrícola. "Os preços
caíram muito neste ano, quadro que foi agravado pelo câmbio",
argumentou.
As exportações de milho somaram 293 mil toneladas em
agosto, vendas que foram feitas pelo preço médio de US$ 266 por
tonelada. Em novembro, foram embarcadas 775 mil toneladas de milho. A
melhora da taxa de câmbio compensou o recuo dos preços internacionais,
que caíram para US$ 202 por tonelada no mês passado. Apesar da
recuperação no final do ano, os embarques recuaram 36,8% no acumulado
do ano até novembro na comparação com igual período de 2007.
Até
novembro, os embarques de milho somaram cinco milhões de toneladas.
Para o ano, a expectativa era repetir o resultado de 2007 e exportar 11
milhões de toneladas de milho. "No ano passado, o Brasil aproveitou uma
janela de oportunidade, mas não conseguiu mantê-la aberta", contou
Matheus Zanella, assessor técnico da Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil (CNA). "Os americanos que deixaram de exportar milho
para usar o grão na fabricação de etanol voltaram com força ao
mercado", completou.
Sem ter para quem vender boa parte da
produção nacional, o produtor que investiu no milho vai enfrentar
tempos difíceis. O governo estima em 14 milhões de toneladas o estoque
de milho, volume expressivo que vai derrubar os preços do grão no
mercado interno, avaliou o presidente da Comissão Nacional de Cereais,
Fibras e Oleaginosas da CNA, José Mário Schreiner.
Para
Zanella, houve uma onde de "otimismo exagerado" no caso do álcool. "As
exportações foram tratadas com grande otimismo, foi exagerado. Não
havia e não há ainda mercado comprador para o produto", disse. No
acumulado do ano até novembro, os embarques de álcool somaram 3,8
milhões de toneladas, abaixo da previsão de alguns analistas de vendas
externas de 5 milhões de toneladas. "As vendas patinaram no começo do
ano, mas se recuperaram no 2º semestre", lembrou.
Para ele, o
principal problema é que o setor industrial brasileiro não está
preparado para fornecer o produto "com sustentabilidade" que os
compradores exigem. "A questão do meio ambiente é um dos grandes
questionamentos ao combustível brasileiro, especialmente na Europa",
afirmou. Augusto de Castro, da AEB, avalia ainda que o protecionismo de
países compradores também compromete de forma negativa o desempenho do
setor, quadro que pode mudar daqui para frente. "Agora, com preço e
câmbio favoráveis, a tendência é de aumento das exportações", afirmou.