
O volume de operações de crédito cresceu novamente em julho e bateu novos recordes. O estoque total de dinheiro emprestado cresceu 2,6% no mês e chegou ao valor inédito de R$ 1,311 trilhão. Nos últimos 12 meses, a expansão foi de 20,8%. Segundo o BC, o aumento do crédito em julho foi influenciado pela operação de empréstimo de R$ 25 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a Petrobras.
Houve crescimento de 7,8% no mês para o crédito direcionado, que inclui os financiamentos habitacionais e rurais, entre outros. O crédito com recursos livros teve expansão de 0,4%. O número também foi recorde na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas), passando de 43,9% em junho para 45% no mês passado. Esse indicador apresenta crescimento há 18 meses seguidos.
Esse resultado levou o BC a rever a previsão para o nível de crédito no fim do ano de 45% para 47%. Em relação aos novos empréstimos, as concessões acumuladas no mês ficaram praticamente estáveis em relação ao mês anterior. Houve queda de 1,5% no crédito para as empresas e alta de 2,5% nos financiamentos para o consumidor.
Agosto
Dados parciais para agosto mostram uma expansão de 0,7% no crédito até o último dia 14. O crescimento foi de 1,4% para pessoa física; para as empresas, houve queda de 0,8%. Nesse período, os juros caíram de 36% para 35,7% ao ano, sendo 44,6% para pessoas físicas e 26,6% para empresas. Também houve queda no "spread" bancário, a diferença entre a taxa de captação dos bancos e os juros cobrados nos empréstimos para os clientes. Segundo o BC, o "spread" caiu de 26,8 pontos percentuais para 26,4 pontos no mês passado.
Calote
A inadimplência subiu em julho pelo oitavo mês seguido e chegou ao nível recorde de 5,9%, de acordo com o relatório de crédito do Banco Central divulgado hoje. Antes da piora na crise financeira, estava em 4%.
Considerando apenas as empresas, a inadimplência também registrou a oitava alta seguida, de 3,4% para 3,8%. Em setembro do ano passado, estava em 1,6%. Em relação às pessoas físicas, a taxa ficou estável pelo terceiro mês, no nível recorde de 8,6% dos empréstimos do sistema bancário. São considerados inadimplentes os empréstimos com atraso superior a 90 dias. Isso significa que o indicador ainda reflete os efeitos da crise internacional de crédito, que provocou alta dos juros e redução dos empréstimos.