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14/07/2010 - 13h07

Público-alvo já era. Agora é a vez do público-seguidor

Abstrações do marketing tradicional do século passado estão ruindo para dar lugar a novos conceitos wikinômicos
Tagil Oliveira Ramos

CidadeMarketing

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

"É um novíssimo mundo, em que as conversas terão mais influência do que os comerciais." Philip Kotler - Sobre as mídias sociais; 

 

Um profissional de marketing do século passado que lesse a frase acima talvez parafraseasse Shakespeare dessa maneira: "Há algo podre no reino do Marketing!"  O velho marqueteiro perguntaria: "Como uma conversa pode ter mais influência do que um comercial? Um anúncio custa caro e é produzido por gente genial. Uma conversa é gratuita. E nem sempre os interlocutores estão com essa bola toda."

 

Esses seriam os pensamentos de um marqueteiro 1.0, sem ofensas, com todo respeito.

 

O profissional de marketing 2.0 entende completamente o que Kotler diz. Compreende que o argumento é quase irrefutável. As perguntas seriam outras: como? e quando?  É preciso entender que alguns dos paradigmas do marketing do século passado estão sendo demolidos. A abstração de "público-alvo", por exemplo, não é mais tão funcional como nos primórdios da arte.  Até hoje, o chamado "público-alvo" foi um conceito útil, pois não havia ferramentas para se medir, com rapidez e precisão, os perfis de comportamento das pessoas.

 

 

Hoje, no Twitter, por exemplo, podemos jogar fora o conceito abstrato e trabalhar com o que eu batizei de "público-seguidor" no livro Twitter, Chiclete & Camisinha: Como Construir Relacionamentos e Negócios Lucrativos.  Não é preciso ficar adivinhando e tateando o que o público quer. Basta perguntar a ele e processar a informação com ferramentas tecnológicas e estatísticas.

 

Outro conceito novo, que introduzi no livro, é o Livre Arbítrio para Seguir (LAS). Essa característica diferencia o Twitter das demais redes sociais. Foi ele que permitiu aos famosos entrarem. Por não um relacionamento obrigatoriamente de mão dupla, a estrela pode se dar ao luxo de entrar, não seguir ninguém e virar uma "Famosidade Anêmica" (FA). 

 

Twitter não é estrelato: é relacionamento. Mas é incrível que muitas pessoas que não têm nenhuma fama se comportam como Famosidades Anêmicas. Isso mostra o que realmente são: mitos midiáticos centrado no cordão umbilical, que continua dependurado ali como um apêndice maldito. 

 

A famoso que entra no Twitter não precisa virar FA. Aliás, é uma ótima oportunidade de se aperfeiçoar, conhecer mais a fundo seus fãs, leitores e admiradores. Ele pode controlar o nível de interação, fazer perguntas e fidelizar ainda mais seus público-seguidor.  Passamos por uma revolução nas relações sociais e no modo de pensar e agir. Quem não se reciclar vai sucumbir. Podemos então dizer, à maneira de Hamlet: "Há algo podre no que restou do marketing 1.0". E não há como ignorar isso.

 

Tagil Oliveira Ramos

Escritor e conferencista, Tagil Oliveira Ramos (*TOR*) é reconhecido jornalista de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), com mais de duas décadas de experiência na área. Trabalhou como editor na revista Info Exame, no portal UOL e no caderno Informática, de O Estado de S.Paulo. Atualmente, escreve para publicações como IT Web e jornal Valor Econômico. Como diretor de Marketing para Mídias Sociais da TurbinaCom Comunicação Empresarial, coordena projetos de Presença Corporativa em Redes Sociais. Blogueiro e twitteiro atuante (com mais de 12 mil seguidores no Twitter até abril de 2010), utilizou parte de seus conhecimentos de Engenharia Eletrônica, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), onde cursou até o terceiro ano, e da pós-graduação em Semiótica, na Universidade de São Paulo, para produzir uma obra de linguagem simples, mas que desvenda a complexidade do ambiente relacional do Twitter. Twitter: @tagilramos

 

Conheça a publicação "Twitter, Chiclete & Camisinha" do autor Tagil Oliveira Ramos |  Editora Novatec



 
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