Os investidores estão cautelosos quanto ao processo de capitalização da Petrobras, afirma o jornal "The New York Times". De acordo com a reportagem, a capacidade da companhia de resistir aos desejos do governo de transformá-la em um instrumento de política social deixa dúvidas no mercado sobre seu futuro.
O governo federal foi autorizado pelo Congresso a ceder até 5 bilhões barris de óleo equivalente para a Petrobras, em um projeto de lei que em seu artigo terceiro obriga que as reservas sejam certificadas para a cessão onerosa. O valor que a companhia pagaria por cada um desses barris ainda não foi definido, mas poderia chegar a US$ 10, dizem estimativas.
O que os investidores não sabem, diz o "Times", é quanto em ações o governo vai querer em troca. Com o preço de US$ 10 por barril, a companhia teria de transferir US$ 50 bilhões ao Estado. "Qualquer que seja o preço, a diluição da participação dos acionistas minoritários parece inevitável", segundo o jornal.
Ele cita uma simulação em que, sob o preço de US$ 5 o barril --uma estimativa conservadora--, o governo demandaria US$ 25 bilhões em novos papéis da companhia. Como o Estado é detentor de cerca de um terço da Petrobras, os investidores privados precisariam aplicar cerca de US$ 50 bilhões para evitar essa diluição. De acordo com o "NYT", mesmo que dois terços dos acionistas privados participassem da oferta, isso poderia fazer com que o governo ficasse com as outras ações em que não houve subscrição, o que poderia aumentar sua participação na Petrobras para 40%. E isso provavelmente não enviaria um sinal positivo para o mercado financeiro global.
Além disso, os investidores suspeitam, segundo o jornal, que a Petrobras esteja abandonando lentamente sua principal habilidade, explorar e produzir petróleo em águas profundas, para satisfazer os desejos do governo de criar empregos através da construção e operação ineficiente de refinarias.
Estimativas mostram que a companhia brasileira vai pagar cerca de duas vezes mais que suas rivais para aumentar sua capacidade de refino. "É por isso que, mesmo contando com as grandes quantidades do novo petróleo que a Petrobras terá de explorar e levando em conta a recente alta do petróleo, as projeções de retorno da companhia não passam de 14% ao ano."
"O status híbrido da Petrobras --parte agência do governo e parte companhia privada-- foi claramente exposto pelo planejamento de sua capitalização. Com uma grande diluição na mesa, combinada a um grande investimento com pequena margem de retorno nas operações de refino, os investidores poderiam ser perdoados por se desfazerem das ações da Petrobras mais adiante", afirma o jornal.
Fonte: FolhaOnline