O Brasil obteve o melhor resultado de sua história em número de troféus na 57ª edição do Festival Internacional de Publicidade de Cannes, encerrado ontem na França. Foram 57 leões, ou 7% do total de leões distribuídos em todo o festival em 12 categorias. Apesar do volume, em termos de criatividade a publicidade brasileira tem muito pouco a comemorar. O país ganhou apenas um troféu na categoria mais nobre da publicidade, a de filmes. Um Leão de Prata, vencido pela agencia Borghier/ Lowe, que não foi sequer veiculado no Brasil. O cliente era a Unilever da Argentina.
"Não podemos celebrar esse resultado, pois é um reflexo da qualidade dos comerciais brasileiros, que caiu muito nos últimos quatro anos", avalia Alexandre Gama, dono da agência NeogamaBBH e um dos jurados da categoria de filme neste ano. Para ele, o principal responsável pela queda na qualidade é o conservadorismo dos clientes, que nivelam por baixo quando se trata de falar com as classes populares. Na opinião de Erh Ray, sócio da Borghierh/ Lowe, a campanha premiada dificilmente teria sido criada para o Brasil. "O consumidor argentino é mais sofisticado, tem mais educação."
"Se o cliente diz 'não me venha com coisa sofisticada, a gente quer é vender', você faz o quê" Publicidade é negócio", comenta Gama. "Ele acha que a propaganda criativa não vai ser compreendida", acrescenta. O país corre o risco de ficar fora do mercado ao negligenciar filmes criativos. "O filme hoje não é só para televisão. Passa na internet, na tela do celular, no outdoor eletrônico. As agências precisam refletir a respeito", diz Gama.
Fonte: FolhaOnline