A montadora Toyota adiou o anuncio do recall por problemas nos pedais e tratou de forma distinta o caso nos Estados Unidos em relação a forma utilizada na Europa e no Canadá, segundo reportagem do "The New York Times" desta segunda-feira. De acordo com a matéria, a companhia deixou de cuidar da segurança nos EUA com o mesmo rigor do que na Europa e no Canadá. As conclusões foram baseados em documentos com mais de 70 mil páginas entregues pela companhia aos órgãos reguladores.
Em janeiro, a empresa convocou um recall com cerca de 2,3 milhões de veículos. Os documentos fornecidos pela Toyota para as autoridades norte-americanas ainda estão sendo investigados para possíveis sanções adicionais. Na sexta-feira, a Secretaria dos Transportes dos EUA enviou uma carta à Toyota, indicando que ele pode procurar uma segunda multa relacionada ao recall dos "pedais grudentos". Desde o ano passado, a Toyota fez o recall de mais de 8 milhões de veículos no mundo por problemas em tapetes que poderiam enganchar no acelerador ou por defeitos nos pedais. Segundo a reportagem, no dia 28 de setembro, funcionários da Toyota se reuniram com agentes da segurança e disseram que a empresa gostaria de fazer o recall dos carros cujos tapetes poderiam enroscar nos pedais do acelerador. A Secretaria dos Transportes dos EUA pressionou a Toyota a anunciar como seria feita o conserto, o que a empresa não fez até 25 de novembro. De acordo com o jornal americano, esse prazo de demora da empresa tem levantado questões sobre uma possível omissão da agência ao não pressionar a empresa a agir mais rapidamente.
"Tanto os reguladores quanto a indústria falhou", disse Kurt Bardella, porta-voz do líder republicano no comitê, Darrell Issa. Os documentos e a cronologia mostram que a empresa teve amplo conhecimento dos problemas do "pedal grudento" muito antes do recall. Eles também mostram que a Toyota tratou de forma distinta os consumidores dos EUA em relação aos da Europa e Canadá. Nos Estados Unidos, a empresa emitiu um aviso de segurança, logo após a reunião com os agentes, e avisou aos proprietários que seus tapetes poderiam enroscar nos pedais. No lugar de consertar o problema, a montadora pediu para os donos dos veículos tirarem os tapetes até que a empresa chegasse a uma solução. No entanto, no mesmo dia, a Toyota disse aos concessionários nos Estados Unidos que estava mudando a forma que fabricava os veículos vendidos lá e determinou os procedimentos de segurança para consertar os problemas de aceleração dos pedais.
Uma semana depois, o órgão regulador do Canadá anunciou o recall de 378 mil carros no país para o problema com o tapete. Enquanto isso, os problemas nos EUA continuaram. A Secretaria dos Transportes dos EUA anunciou neste mês que pretende multar a Toyota em US$ 16,4 milhões (pouco menos de R$ 29 milhões) por causa do recall de cerca de 2,3 milhões de veículos. É a mais alta cobrança já imposta a um fabricante de veículos no país.
O secretário dos Transportes dos EUA, Ray LaHood, afirmou ter provas de que a Toyota não cumpriu a lei. "Pior do que isso, eles conscientemente esconderam um perigoso defeito durante meses e não agiram para proteger milhões de motoristas e suas famílias. Por essas razões, estamos pedindo a multa máxima possível segundo as leis atuais."
Fonte: FolhaOnline / NYT