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04/04/2010 - 19h59

GE quer dobrar receita na área de petróleo

Paul Glader

The Wall Street Journal

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

A General Electric Co. planeja duplicar para US$ 15 bilhões a receita de sua divisão de serviços petrolíferos nos próximos quatro anos, mas as ambições crescentes da GE Oil & Gas podem enfrentam obstáculos.  A GE, que há muito se orgulha de ser primeiro ou segundo lugar em seus mercados, é peso médio quando se trata de petróleo. As empresas que lideram o setor, como a Schlumberger Ltd. e a Baker Hughes Inc., estão se consolidando rapidamente e fechando aquisições bilionárias para ganhar escala e conseguir contratos importantes.

 

Num contraste, os executivos da GE, inclusive o diretor-presidente, Jeffrey Immelt, dizem achar que a GE Oil & Gas pode crescer organicamente concentrando-se em produtos e mercados de nicho, em que os concorrentes maiores não são um fator.  Em seu site, a divisão afirma que fornece equipamentos e serviços "em todos os segmentos da indústria mundial do petróleo e do gás". Mas o que a GE conseguiu montar até agora, com uma série de pequenas aquisições nos últimos 15 anos, é uma coleção de especialidades sem muita ligação e em áreas de crescimento como equipamentos de perfuração e compressores.

 

Os analistas duvidam que a GE Oil & Gas possa alcançar massa crítica suficiente para se tornar um concorrente importante se não realizar aquisições.  "Eles têm uns pedaços de alguns segmentos, mas ainda não descobriram como se parecerá o quebra-cabeça", diz Geoff Kieburtz, analista sênior de energia da corretora americana Weeden & Co, de Greenwich, no Estado de Connecticut. Ele e outros analistas dizem que a GE Oil & Gas precisa ganhar corpo e desenvolver uma estratégia, mais clara se pretende concorrer com empresas maiores.

 

Mas a GE afirma que não está tentando concorrer diretamente com a Halliburton Co. ou a Schlumberger, que obtêm boa parte da receita da operação de equipamento petrolífero e administração de projetos de exploração. Em vez disso, a divisão espera crescer e dominar áreas como o mercado de bombas, compressores e equipamentos submarinos.  A GE Oil & Gas ganhou alguns contratos de peso para projetos na Austrália e África. Sua receita, embora ainda uma fatia pequena do total da GE, subiu 5,5% ano passado, para US$ 7,7 bilhões, e continua a crescer num momento em que vários outros segmentos não estão.

 

Os executivos da GE dizem que sua estratégia é enfatizar a tecnologia de petróleo e gás, na qual a empresa planeja investir US$ 500 milhões nos próximos três anos; também há foco em entregas pontuais de equipamentos e em realocação de trabalhadores para regiões em que se concentram vendas e clientes.  "Nossa aspiração é continuar desenvolvendo justaposições tecnológicas entre os negócios que temos", diz Joe Mastrangelo, um diretor da unidade.

 

E a perspectiva da GE sobre a consolidação do setor? "Não somos de vender", diz ele.  A GE entrou no segmento de serviços petrolíferos em 1994, com a aquisição da italiana Nuovo Pignone, que vende bombas, compressores e outros equipamentos para oleodutos e usinas de processamento. Depois ela adquiriu por US$ 1,9 bilhão a Vetco Gray, em 2007, e a Hydril Pressure Control, em 2008, por US$ 1,1 bilhão, negócios que a levaram à exploração e produção.  Embora a GE tenha renomeado em maio as empresas sob a bandeira GE Oil & Gas, muitos no setor ainda chamam a divisão de equipamentos submarinos Vetco e a de compressores, Nuovo Pignone.

 

"São marcas fortes na indústria petrolífera", diz Mastrangelo. "A evolução não ocorre de um dia para o outro."  A GE Oil & Gas é sediada em Florença, Itália, tem mais de 13.000 empregados no mundo e também produz peças e equipamentos para terminais de gás natural liquefeito, refinarias de petróleo e usinas petroquímicas, e oferece serviços de inspeção de oleodutos. No quarto trimestre, contabilizou um total de US$ 2,5 bilhões em pedidos, 30% a mais que um ano antes, em meio a uma expansão na exploração e produção de petróleo.

 

Seus principais clientes são petrolíferas como a Chevron Corp. e a Exxon Mobil Corp., e estatais como a Saudi Aramco e a Petrobras SA. Entre suas especialidades estão as "árvores de natal" - estações de bombeamento instaladas no fundo do mar para extrair o petróleo. Mas a GE enfrenta forte concorrência nesse mercado das americanas Cameron International Corp., FMC Technologies Inc. e Drill-Quip Inc., bem como a Aker Oilfield Services, filial da noruguesa Aker ASA.  Antes parte do conglomerado suíço ABB Ltd., a Vetco foi vendida a uma firma de private equity e depois para a GE, mas foi perdendo mercado no meio tempo. Vários analistas dizem que a parte de equipamentos submarinos ficou para trás dos concorrentes em projetos de águas profundas e em novos produtos.

 

Mastrangelo, da GE, diz que o orçamento de pesquisa da Vetco encolheu na época dos donos de private equity e a empresa perdeu alguns funcionários.  Mas "estamos começando a ver resultados dos investimentos em tecnologia", diz, acrescentando que a empresa contratou novos profissionais de engenharia e vendas. A empresa também conquistou alguns contratos consideráveis, como a parte submarina do gigantesco projeto de gás Gorgon, na Austrália. 

 

A Vetco tinha 34% do mercado mundial das chamadas árvores de natal molhadas em 2000. Essa fatia caiu para 19% em 2009, à medida que ela perdeu mercado para a Cameron, que em 2009 tinha 55% do mercado, segundo a firma de pesquisa Quest Offshore Resources Inc. Embora a Vetco esteja ganhando mercado na África, Ásia e Oriente Médio, há muito vem perdendo na América do Norte e no Mar do Norte.  "Concorremos com boas empresas em todos esses negócios", disse Mastrangelo. "Por isso que estamos fazendo os investimentos que temos feito."

 

Alguns analistas acham que faria sentido para a GE fortalecer os negócios submarinos, em que os concorrentes parecem querer continuar independentes.  Pelo menos um deles, a Cameron, já se prepara para a expansão. "O balanço da Cameron está ótimo", disse o diretor financeiro da empresa, Chuck Sledge, na teleconferência para divulgar os resultados do quarto trimestre. "Podemos fazer qualquer aquisição que quisermos em 2010."

 

Fonte: WSJ



 
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