A holding do varejo Máquina de Vendas, que surge nesta segunda-feira da fusão entre a Ricardo Eletro, de Minas Gerais, e Insinuante, da Bahia, irá investir neste ano R$ 50 milhões e deverá abrir entre 30 e 50 lojas. O foco de expansão da rede será o Rio de Janeiro e, posteriormente, São Paulo. Somente no Rio, a previsão é de abrir 30 lojas em 2010, sendo a maioria no interior do Estado --atualmente, são 70 lojas. As demais 20 lojas serão inauguradas em locais onde o grupo já está presente.
A empresa espera ainda ampliar a participação em São Paulo e chegar na capital paulista num prazo estimado entre um ano e um ano e meio, segundo Ricardo Nunes, presidente do novo grupo. "Devemos crescer em São Paulo por meio de aquisições, que pretendemos começar a fazer no ano que vem", afirmou. Hoje, a Ricardo Eletro tem 22 lojas no interior do Estado. O executivo não descartou uma parceria com a Magazine Luiza, que perdeu o segundo lugar no ranking do varejo para a nova holding. "Temos planos de crescer, seja com quem for. Estamos abertos a qualquer empresa que quiser se juntar a nós", disse Nunes.
O presidente da Insinuante, Luiz Carlos Batista, que será presidente do Conselho de Administração da rede, acrescentou que o setor passa por um momento de consolidação. "Nosso desenho de negócios vai permitir trazer pequenas empresas para dentro do nosso guarda-chuva", disse. Além da abertura de lojas, a Máquina de Vendas irá investir capital na construção de dois centros de distribuição, em Recife e Fortaleza. Atualmente, a Insinuante tem um centro em Salvador e a Ricardo Eletro em Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Rio de Janeiro e Goiás.
A previsão de faturamento da companhia neste ano é de R$ 5 bilhões, sendo R$ 250 milhões da operação on-line. As duas empresas tiveram faturamento de R$ 4,1 bilhões em 2009. A Máquina de Vendas, que surge com 8% de participação no mercado, pretende chegar em 15% nos próximos três anos. Separadas, Ricardo Eletro e Insinuante tinham cada entre 4% e 4,5% de market share.
Negociações
As negociações tiveram início há três meses, após acordo de fusão entre Pão de Açúcar e Casas Bahia, em dezembro de 2009. Nunes e Batista ficaram em São Paulo durante esses 90 dias fechando o acordo. Sobre os detalhes do negócio, Batista disse que não houve desembolso de capital de nenhuma das partes, apenas troca de ativos e passivos. Segundo ele, isso foi possível porque as empresas tinham tamanhos semelhantes -- cada uma teve faturamento de cerca de R$ 2 bilhões em 2009. O controle será dividido entre as duas, com 50% cada.
A sinergia proporcionará economia de R$ 150 milhões por ano, que virá de ganhos com logística, processos e compras de fornecedores. A empresa nasce sem endividamento e com reserva de caixa. Nunes acrescentou ainda que nenhuma unidade será fechada. A Ricardo Eletro e Insinuante têm sobreposição de lojas apenas em Salvador, com 60 e 80 unidades, respectivamente. "Não fecharemos nenhuma loja porque o mercado comporta as duas".
Por enquanto, ambas as marcas serão preservadas: a marca Insinuante será bandeira predominante nas lojas do Norte e Nordeste do país, enquanto a Ricardo Eletro será utilizado no Centro-Oeste e Sudeste. Os executivos disseram ainda que a nova empresa terá como bandeira preços baixos. "Teremos mais poder de negociação com os fornecedores, o que nos permitirá levantar a bandeira do preço".
Planos
A meta do grupo é dobrar de tamanho nos próximos quatro anos, passando de 15 mil para 30 mil funcionários, e de 528 para mil lojas, atingindo um faturamento de R$ 10 bilhões. A nova empresa já nasce como segunda maior de rede de varejo e de eletrodomésticos, móveis e eletroeletrônicos do país. Por enquanto, ambas as marcas serão preservadas: a marca Insinuante será bandeira predominante nas lojas do Norte e Nordeste do país, enquanto a Ricardo Eletro será utilizado no Centro-Oeste e Sudeste.
A Insinuante foi fundada em 1959 em Vitória da Conquista, na Bahia. "Era uma loja de eletrodomésticos com 100 metros quadrados. Comecei com muita dificuldade, não tinha acesso a capital de giro, mas o negócio foi crescendo", conta Batista. Enquanto ele atendia os clientes, a irmã ficava no caixa. Atualmente, tem 260 lojas. Já Nunes conta que antes de abrir a Ricardo Eletro trabalhou vendendo mexerica no sinal de trânsito. "Ali entendi que tinha que ser jeitoso com as pessoas. Com 18 anos, montei a Ricardo Eletro", relembra. A primeira loja foi inaugurada em meados dos anos 90 em Divinópolis (MG) -- hoje são 268.
Fonte: FolhaOnline