Quando a sul-coreana Samsung chegou ao Brasil em 1986, seus produtos
eram vistos como alternativas de baixo custo aos de fabricantes
americanos, europeus e japoneses. Assim como acontece hoje com os
produtos chineses. Muita coisa mudou em mais de duas décadas, e a
Samsung conseguiu conquistar um lugar na mente do consumidor, um lugar
entre as marcas de qualidade, que têm atrativos que vão além do preço.
A mudança veio com investimento intensivo em pesquisa e desenvolvimento
e conquista de participação em mercados importantes no mundo da alta
tecnologia, como o de telefones celulares e de telas de cristal líquido
(LCD, na sigla em inglês). Agora, a empresa sul-coreana quer se tornar
objeto de desejo.
"Meu maior desafio é fortalecer a marca junto
ao consumidor", disse o vice-presidente para América Latina da Samsung,
Doo Young Yoo. "Queremos não ser a marca que o consumidor compra, mas a
marca que o consumidor quer comprar." Esse é um lugar em que todas as
empresas querem estar, mas que poucas conseguem. A americana Apple
consegue isso hoje, com o iPhone, e a japonesa Nintendo, com o Wii. Mas
produtos como esses conseguem ter uma combinação rara de facilidade de
uso e design que cai no gosto dos consumidores. Yoo comandou por sete
anos as operações italianas da Samsung, antes de assumir o comando da
América Latina em maio. Mas a história do executivo com o Brasil é
antiga. Foi ele quem instalou o primeiro escritório no País. "Eu era o
único funcionário da Samsung, em um pequeno escritório da Avenida
Paulista", lembrou o executivo. Em sua primeira passagem, ficou no País
por cinco anos. A segunda vez em que esteve por aqui, na década
passada, foi para acompanhar a instalação da fábrica em Manaus. Ficou
mais dois anos no País.
Agora, como vice-presidente para a
América Latina, comanda a operação regional a partir de São Paulo, não
mais da Avenida Paulista, mas do escritório da empresa na Torre Oeste,
prédio na Avenida das Nações Unidas, zona sul da cidade. Ele preferiu
dar a entrevista em inglês, apesar de o pessoal da subsidiária
brasileira dizer que ele fala bem o português. "Às vezes eu confundo
algumas palavras com o italiano e o espanhol", justificou. A Samsung
faturou US$ 2,1 bilhões no Brasil em 2007 (frente a uma receita mundial
de US$ 103,4 bilhões). A empresa tem duas fábricas no País, em Campinas
(SP) e em Manaus, com centros de pesquisa e desenvolvimento. Ao todo,
são 18 centros de pesquisa em todo mundo. No ano passado, a empresa
investiu US$ 6,3 bilhões em P&D em todo o mundo. As informações são
do jornal O Estado de S. Paulo.