A AmBev admite que o fortalecimento da cervejaria holandesa Heineken no mercado brasileiro, após a compra da divisão de cervejas da mexicana Femsa, pode acirrar a concorrência no segmento premium, mas avalia que, no longo prazo, o aumento da competição pode ser até benéfico para a empresa. "Por um lado, teremos um competidor global e forte, com ampla experiência no segmento premium, que ainda é pouco desenvolvido no Brasil. Por outro, a presença da Heineken pode estimular o segmento premium e, no longo prazo, essa mudança na configuração do mercado pode acabar sendo uma oportunidade para a AmBev", disse hoje a jornalistas o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da fabricante, Nelson Jamel. "É uma briga dura, mas é uma briga que a gente gosta."
A Heineken anunciou a compra da divisão de cervejas da Femsa no País em janeiro deste ano e ainda não revelou qual será a sua estratégia para o mercado brasileiro. Mas a expectativa é que, diante da ampla gama de produtos premium no portfólio da cervejaria holandesa, esse segmento deve se aquecer no Brasil.
Estima-se que o segmento premium responda por aproximadamente 1% do volume total de cerveja comercializado no País, mas não há consenso nessas estimativas, que variam de acordo com os produtos classificados como premium. Isso porque, dentro desse segmento, há diversos nichos, como o premium, o super premium e as cervejas importadas. Jamel disse hoje que a AmBev tem uma "importante participação" no segmento, mas não revelou seu market share. A marca líder da empresa no mercado premium é a Bohemia.
Na Europa Ocidental, as cervejas premium chegam a representar 40% do setor. Na Argentina, essa participação seria de 10% e no Chile, de 8,5%, o que revela o elevado potencial de crescimento desse mercado no Brasil.
Fonte: Agência Estado