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23/02/2010 - 16h58

Vale refeição é 45% menor que valor médio pago em restaurantes, diz pesquisa

GIULIANA VALLONE

FolhaOnline

ALTERA O
TAMANHO DA LETRA

O vale refeição médio pago aos trabalhadores brasileiros em 2009 ficou cerca de 45% abaixo do preço pago nos restaurantes do país, aponta pesquisa da Assert (Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador). De acordo com os dados, no ano passado, o trabalhador pagava em média R$ 18,20 por refeição, enquanto o valor recebido da empresa estava em cerca de R$ 10,00 ao dia.

 

Essa disparidade cresceu em relação a 2008, quando, segundo a Assert, o valor médio da refeição era de R$ 16,30, contra R$ 9,50 do ticket pago. "Os preços são altos para a realidade brasileira. O que você tem não é suficiente para pagar as refeições. Essa é uma contradição que a gente tem que enfrentar", afirmou o presidente da Assert, Artur Almeida.

 

A pesquisa mostra que, mesmo com os preços sob controle no ano passado --o IPCA subiu 4,31%, abaixo da meta do governo, de 4,5%--, o valor da refeição fora de casa para os trabalhadores que recebem o benefício subiu cerca de 11% no período.

 

"A alimentação fora de casa foi a maior contribuição para a inflação em 2009, com alta de 9,05%, segundo o IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo]", afirmou Almeida. "Os preços estão em sintonia com o apresentado pelo IBGE."  A Assert realizou o levantamento em 3.224 estabelecimentos que operam com o sistema de vale refeição em 22 cidades do país. Entre as cinco regiões, as que registraram a refeição --composta por bebida, prato principal, sobremesa e café-- mais cara foram Centro-Oeste e Sudeste, com R$ 19,10. Em seguida vem a Região Norte, com R$ 16,90, acompanhada por Nordeste (R$ 15,60) e Sul (R$ 15,40).

 

Almeida explicou que os preços na Região Centro-Oeste são puxados por Brasília, que tem renda média mais alta e custo de vida maior. "No caso do Sul, já há uma tradição de refeições mais baratas naquela região", disse.  De acordo com o presidente da Assert, o aumento nos preços em 2009 foi influenciado pela elevação nos custos administrados pelo governo, como água (4,42%, segundo o IPC-Fipe, que mede a inflação na cidade de São Paulo), energia (10,93%) e gás (12,13%). Entre os alimentos, ele destacou a alta do açúcar (58,39%), da cebola (41,45%) e da batata (43,71%).

 

2010

Neste ano, porém, com a melhora esperada nas condições econômicas, o cenário deve ficar mais positivo para os trabalhadores, segundo Almeida. Ele afirmou que, ainda que os preços não baixem devido ao aumento da demanda, a renda média do trabalhador deve subir e sua capacidade de negociar os benefícios com as empresas também aumenta. "2010 será um ano muito bom para a indústria."

 

De acordo com números fornecidos pela Assert, há no Brasil cerca de 200 mil estabelecimentos credenciados no sistema de ticket refeição no país. A estimativa da associação é que cerca de 6,5 milhões de pessoas utilizem o benefício no Brasil.



 
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