O economista-chefe do Goldman Sachs, Jim O'Neill, considera que a China ultrapassou os Estados Unidos como principal mercado do mundo. De acordo com ele, desde o início de 2007, as vendas de varejo na China estão crescendo mais do que a queda de consumo que houve nos Estados Unidos nesse período. O próprio economista, que fez uma apresentação nesta segunda-feira no seminário "Uma Agenda para os Bric", no Rio, admitiu que a sua conclusão é controvertida.
Segundo O'Neill, a maneira de ver esse crescimento do mercado chinês, ultrapassando o americano, depende da forma de cálculo do valor da moeda em relação ao poder de compra nos dois países. Ele frisou que "os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) têm um papel no ajuste mundial diante dessa redução quase inevitável do consumo americano" em consequência da crise mundial. Ele observou que Brasil, Rússia e Índia têm uma força muito menor do que a da China, mas ressaltou que "o mundo está sobre dois cilindros e não um: os Bric e os Estados Unidos".
O economista contou que é questionado se o R de Rússia deveria fazer parte do grupo de países com grande população, território e potencial de participação na economia mundial. No entanto, não tem mais ouvido dúvidas sobre o Brasil. Para ele, o País tem o mais alto potencial de crescimento sustentável, segundo um índice da Goldman Sachs, em que o Brasil aparece pontuado com 5,3, seguido pela China, com 5,2.
O'Neill contou ainda que, na sexta-feira, recebeu uma ligação do economista brasileiro Paulo Leme, que também integra o Goldman Sachs, sugerindo aumento da previsão de crescimento do Brasil para 6,4%, mas não detalhou o período. O' Neill disse que já queria aumentar há algum tempo para 7%.