Como a temperatura, os preços dos aparelhos de ar-condicionado subiram neste verão, mas o consumidor continua tendo dificuldades para comprar o produto nas lojas ou pela internet. Uma amiga do blog que percorreu mais de cinco estabelecimentos ouviu explicação parecida dos vendedores: quando o eletrodoméstico não está em falta, só há modelos Split, aqueles que precisam de uma instalação especial e funcionam com 220V de energia.
O desabastecimento, segundo as redes de varejo, é culpa da indústria que, por sua vez, informa que está trabalhando a todo vapor para atender à demanda do comércio. À espera do ar-condicionado, o consumidor fica no meio do caminho, sem sombra e água fresca, suportando temperaturas recordes que ultrapassam os 40 graus. E o alívio também passa longe do bolso: de acordo com a FGV, o preço do produto aumentou 1,46% entre os dias 8 de janeiro e 7 de fevereiro deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.
- Essa alta é superior à inflação registrada pelo IPC-S, que ficou em 1,33%. Trata-se de um aumento significativo, condizente com a demanda verificada nesta época do ano - explica André Braz, economista da FGV, acrescentando que, daqui para a frente, não há mais espaço para subidas de preços tão intensas.
Na Ricardo Eletro, a mercadoria que desembarca nas lojas está sendo vendida em dois ou três dias.
- Nos últimos meses, a rede dobrou o número de ar-condicionados vendidos. A indústria tem feito a entrega dos produtos, mas a demanda está muito grande e, por isso, faltam mercadorias - diz Rômulo Cunha, diretor de compras da rede.
O Carrefour também admite a ausência de alguns modelos, por causa do aumento na procura, "resultado da forte onda de calor no Rio de Janeiro". A rede informa, no entanto, já ter realizado nova compra e que, nos próximos dias, "a situação será regularizada". Procurada pelo blog, a assessoria do Pão de Açúcar informou que o grupo enfrenta certa dificuldade com o abastecimento das indústrias, "mas na medida do possível, continua alimentando as lojas com modelos de ar-condicionado e ventiladores".
- Possuímos um bom número de aparelhos portáteis nas lojas, e o abastecimento deve ser regularizado o quanto antes. As vendas totais de ar-condicionados cresceram 30% em todo o Brasil - diz a nota do grupo.
Por causa do calor intenso, a Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) afirmou que o consumo vem em um ritmo maior do que o esperado para esta época do ano.
- Para atender esses pedidos e permitir uma regularização desta situação, a indústria está trabalhando a pleno vapor e vai se manter neste ritmo pelos próximos meses - esclarece a Eletros.