As fazendas de café onde Vanessa brincava na infância, no sul de Minas Gerais, foram inspiração para que ela abrisse um negócio próprio. Com a formação em bioquímica, conseguiu aliar as nostálgicas plantações da terra natal ao fascínio pela cosmética criando a Kapeh - empresa que produz cremes, loções e sabonetes a partir de extrato de café. Menos de três anos depois de iniciar sua trajetória na concorrida indústria de cosméticos, Vanessa Vilela Araújo, de 32 anos, já disputa um prêmio internacional de empreendedorismo feminino, pela criatividade e inovação que conseguiu imprimir à sua marca em tão pouco tempo.
A empresária é a única brasileira entre as dez finalistas do Empretec Women in Business Award 2010, que está na segunda edição. A seleção começou com 37 candidatas de 18 países em desenvolvimento, entre eles Argentina e Chile. Três empresárias brasileiras chegaram a concorrer, mas só Vanessa foi para a final. O prêmio será entregue entre os dias 26 e 30 de abril em Genebra, na Suíça. Na edição do ano passado, uma outra empresária brasileira também concorreu, mas quem ganhou a homenagem foi uma empreendedora de Gana.
O Empretec é um programa de formação de empreendedores desenvolvido pela Unctad (Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento do Comércio). No Brasil, é organizado pelo Sebrae desde 1993. "Fazemos uma reflexão sobre os comportamentos do empresário: onde ele é frágil, quais são suas habilidades e competências", disse a gestora do programa no Brasil, Carla Virgínia Rosal Lima Costa.
Pelos seminários, que duram seis dias, já passaram 134 mil participantes, entre microempresários e pessoas com planos de abrir um negócio. A maioria deles tinha nível superior (78%) e renda familiar acima de 12 salários mínimos (54%). Vanessa integrou uma dessas turmas. "Sempre tive paixão por cosmético e nunca tive dúvidas de que queria ter minha própria empresa. Corri atrás", conta.
Depois de concluir, em Cuiabá, o curso superior de Farmácia e Bioquímica, voltou à cidade de Três Pontas, no sul de Minas, onde estão as fazendas da família, e se concentrou em descobrir os benefícios cosméticos do café. Era mais uma intuição do que uma certeza. Foram três anos de estudos, em parceria com institutos de pesquisas e universidades, até o resultado. "Podia não ter dado em nada, mas acabamos descobrindo que o café tem efeitos antioxidantes e é muito bom para a pele." A linha inicial de produtos inclui loção hidratante para o corpo, óleo de banho, sabonete líquido, creme hidratante para mãos e pés e sabonetes em barra em três versões (café verde, café maduro e café torrado).
A Kapeh completa três anos em abril, e seus produtos podem ser encontrados em 150 pontos de vendas em 15 Estados. A empresa conta hoje com oito funcionários diretos e 50 indiretos. Toda a fabricação é terceirizada e está concentrada numa indústria do interior de São Paulo. No ano passado, a Kapeh começou a exportar para Holanda e Portugal, alcançando um faturamento de R$ 340 mil. E Vanessa quer mais. Até o fim do ano, quer levar sua marca para todos os Estados do Brasil. Outros 27 países também estão na mira - ela aguarda registro para iniciar a exportação.
Os produtos são comercializados em locais como farmácias, perfumarias, casas de banho e até cafeterias, numa estratégia bem diferente de suas maiores concorrentes, que apostam na venda direta ou em franquias. Vanessa não descarta a possibilidade de, no futuro, entrar também no mercado de franchising. Se mantiver o ritmo de expansão, daqui a pouco já será possível encontrar lojinhas da Kapeh por aí.