Em apenas um ano de vida, completados há menos de um mês, a Brasil Cacau, irmã mais nova da Kopenhagen, uma das mais tradicionais redes de chocolatarias do País, já se prepara para um grande salto. Lançada pelo grupo CRM, a nova rede de chocolates pretende ter 500 lojas espalhadas pelo Brasil até o fim de 2011. Esse número será consideravelmente maior que o da primogênita, que completará 82 anos em 2010 e possui 259 unidades. Hoje, a Brasil Cacau tem 52 lojas distribuídas em oito estados do País e, até a Páscoa, mais 20 serão lançadas. No primeiro ano de vida, a marca faturou R$ 15 milhões. O faturamento da Kopenhagen foi de R$ 160 milhões.
A iniciativa de lançar uma nova rede surgiu da necessidade de atingir um público que a Kopenhagen não conseguia alcançar, o das classes C e D, segundo Adriane Ura, gerente de marketing da Brasil Cacau. Outras redes, como a Cacau Show, avançaram fortemente graças a esse público. Depois de comprar a marca Dan Top, o grupo CRM percebeu que havia espaço no mercado para mais uma rede de chocolataria e decidiu investir. Foram três anos de pesquisas até o lançamento da primeira loja.

Ainda que estejam sob o comando do mesmo grupo, as estratégias de mercado das duas marcas são diferentes, afirma Renata Vichi, vice-presidente do Grupo CRM. "Perfil de público, localização, mix de produtos, processo de fabricação dos chocolates e até o atendimento nas lojas são pontos que provam que cada bandeira possui a sua peculiaridade", diz. A Kopenhagen é reconhecida pela elegância de seus itens e adota um processo artesanal na produção de seus chocolates. O Cherry Brandy (bombom de cereja) leva 72 horas para ficar pronto e é banhado manualmente no chocolate.
Já a Brasil Cacau está investindo para que o processo de produção dos seus produtos seja 100% industrializado. Os bombons de cereja, por exemplo, são produzidos na esteira. "Estamos levantando capital e investindo em máquinas, algumas encomendas já foram feitas e aguardamos para que a produção seja dinamizada", afirma Renata.
Segundo o especialista em franchising, sócio da Praxis Education e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Adir Ribeiro, a iniciativa do grupo CRM foi inteligente. "A partir do momento em que um grupo não tem mais como expandir com determinado negócio, focar no segmento é uma saída interessante para continuar em destaque no mercado", afirma.